Feijão ♥

Papos que não são de fêmea nem de macho, mas de pessoas pensando sobre amor, um treco bem mal definido e altamente improvável que às vezes a gente parece realmente sentir. Contém textos recortados de outros blogs e sites

Modos de Amar

As verdadeiras histórias de amor acontecem quando duas pessoas amam do mesmo modo, e o sentimento provoca sempre uma enorme vontade de cuidar do amado.

por Flávio Gikovate

Uma das frases que estamos acostumados a ouvir é: ‘Eu amo a meu modo’. É claro que isso é dito em conseqüência das queixas e insatisfações do companheiro, que se sente pouco atendido em suas pretensões de carinho e atenção. Será mesmo que existem vários modos de amar? Ou será que a hipótese é usada, de má-fé, para encobrir a falta da capacidade de amar?

Há pessoas que gostam – e necessitam – de relações afetivas próximas e intensas, ao passo que outras preferem relações mais frouxas. Quando duas pessoas com expectativas amorosas diferentes se unem, é claro que aquela que espera um relacionamento mais intenso fica insatisfeita, mesmo quando o parceiro se dedica a ela da forma mais leal e honesta. Acho que talvez seja mais adequado pensar em diferentes graus de intensidade amorosa em vez de pensar em diferentes formas de amar.

Sim, porque esta última forma de raciocinar abre as portas para muitos tipos de comportamento claramente egoístas, em que se podem usar palavras de natureza amorosa sem que elas venham acompanhadas de comportamentos compatíveis. Dizer ‘eu te amo’ não custa nenhum tipo de esforço ou sacrifício. Se expressões desse tipo não vêm acompanhadas de atitudes próprias desta emoção, elas são pura demagogia.

Funciona mais ou menos assim: o demagogo diz que ama a seu modo e que isto não significa ter atitudes de dedicação e agrado em relação ao seu par. Por outro lado, ele espera do parceiro a renúncia e a generosidade próprias do modo de amar do outro. O processo envolve, pois, dois pesos e duas medidas, uma vez que as pessoas que amam a seu modo nunca se relacionam intimamente com outras pessoas que amam do mesmo modo que elas, preferindo pessoas que amam de um modo mais convencional.

Temos todas as razões do mundo para desconfiar das palavras, especialmente daquelas que não vêm acompanhadas de atitudes coerentes com elas. Acho melhor encontrarmos uma só forma de descrever o amor e definitivamente só considerarmos como capazes de amar aqueles que se comportam de acordo com o descrito. Ou seja, penso que a melhor forma de conceituar o amor seja considerar que aquele que ama se sente muito bem em agradar e paparicar a pessoa amada.

Uns farão sacrifícios maiores para isso do que outros, mas todos aqueles que amam de verdade sentem-se felizes interiormente quando são capazes de proporcionar alegria e felicidade ao amado. Amar é, então, gostar de agradar a pessoa amada, ficar feliz com sua felicidade, querer ver a pessoa prosperar. É fazer todo o possível para que estas coisas se realizem.

Agradar a pessoa amada significa fazer as coisas que a deixam satisfeita e, principalmente, que a fazem sentir-se amada. E o que agrada a outra pessoa não é obrigatoriamente o que nós achamos que vai agradar. É importante observar quem se ama, conhecer seus gostos e vontades. Não tem cabimento um homem dar uma jóia de presente a uma mulher que não gosta de jóias! Às vezes vale mais uma flor do que um anel de brilhantes.

Quando não existe esse tipo de troca num relacionamento, penso que não deveríamos usar a palavra amor para descrever o elo que une duas pessoas. Não é raro que um dos indivíduos seja do tipo que sempre gosta de paparicar o parceiro, ao passo que o outro é displicente, só gosta de receber agrados, ‘ama a seu modo’. Nesse caso, o que agrada ama, mas não está sendo amado, está sendo explorado. É co-autor de uma história de amor unilateral.

Não posso esconder as reservas que tenho em relação a esses tipos de relacionamento. Eles não fazem parte das verdadeiras histórias de amor, que são sempre trocas ricas e gratificantes para ambos os envolvidos. As verdadeiras histórias de amor acontecem quando duas pessoas amam do mesmo modo, e o sentimento provoca sempre uma enorme vontade de cuidar do amado.

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Não se culpe por um erro que não cometeu

Quem ama, respeita, conversa, interessa-se pelos sentimentos do outro, tenta chegar a um consenso e, acima de tudo, tem o mínimo de constância em suas atitudes.

por Rosana Braga

Sou a primeira a defender a idéia de que é preciso pedir desculpas e rever seu comportamento quando se comete um erro, mas também rapidamente me levanto para defender uma acusação injusta. E se é mera coincidência ou recorrência de enganos, eu não sei. Mas o fato é que tenho ouvido histórias parecidas de pessoas que se sentem culpadas pelo fim de um relacionamento sem terem, na verdade, essa responsabilidade, ou pelo menos não desse tamanho!

Veja bem! Todo relacionamento é feito de duas pessoas, e isso é reconhecido e aceito por todos. Mas por que será que a tendência é de que só um seja responsabilizado pelo que saiu errado? Por que, em geral, um ocupa o lugar de certo, sabichão e o outro aceita o lugar de culpado? Explico: em geral, os espertos fazem o que querem, saem com os amigos sem dar a menor satisfação e sem considerar a opinião e a vontade do outro, contam mentirinhas com a cara mais deslavada do mundo, mas sempre encontram justificativas para fazer valer cada um de seus argumentos.

O outro, por sua vez, em geral se submete, faz o que o “manipulador” quer, na hora que ele quer e, no final das contas, ainda sai como culpado, responsável pelas brigas e desentendimentos. Sua fama é de ser intransigente, cobrador, briguento e, diante do menor deslize, do menor revide, será acusado, julgado e condenado sem nenhuma chance de defesa. Ainda que a relação continue, ouvirá ‘todo-santo-dia’ o quanto merece ser punido por aquele tal erro cometido, num fatídico dia em que se cansou dos desaforos do outro. Perde todo e qualquer direito de expressar o que sente, especialmente se seu sentimento for contrário ao que o espertinho quer fazer.

Bem, verdade seja dita: tá tudo errado! Tanto o que sacaneia impiedosamente, responsabilizando o outro de forma sutil e extremamente eficiente pela relação ter chegado a este ponto; quanto o que se deixa acusar, aceitando as torturas e punições dia após dia, vestindo a carapuça de culpado e se lamentando o tempo todo! Resumindo: juntou a fome com a vontade de comer, e deu nesse exagero e descompasso!

Agora, enquanto um bate e o outro apanha, resta-nos descobrir quem vai reclamar da brincadeira primeiro. Em geral, é quem está apanhando, obviamente. E a situação é mais ou menos assim: o bom de lábia apronta várias: mente, trai, aparece e desaparece quando bem entende. Hoje, está uma seda, todo gentil, carinhoso, cheio de promessas e declarações de amor. Amanhã, sem motivo que o justifique, é grosseiro, frio, não aceita perguntas e se faz de ofendido diante da menor desconfiança ou pedido de explicação do outro. O culpado, por sua vez, termina se deixando convencer de que realmente não deveria ter dito o que disse, que pegou pesado e que nem tem provas para estar tão desconfiado ou ter ousado culpar o outro do que quer que seja.

E o pior é quando o espertinho termina a relação justificando que não aguenta mais ser alvo de tantas acusações, e que ele, sim, tem motivos para desconfiar do outro… afinal, teve aquele dia, aquele deslize que ele julga fatal, do qual ele jamais vai se esquecer e muito menos perdoar. Daí, tá armada a cama de torturas! O culpado vai sofrer desesperadamente, acreditando que tudo terminou dessa maneira porque ele foi ansioso, impaciente e injusto! Vai se lamentar dia e noite por tudo o que disse e, certamente, também vai pedir perdão pelo que fez, pelo que não fez, e pelo que jamais sequer pensou em fazer. Vai pedir perdão por tudo, sem ter feito – de fato – absolutamente nada que realmente justificasse o comportamento do outro e o final da relação.

Se você está passando por isso, sendo responsabilizado constantemente pelo desgaste do relacionamento, pelo enredo torto que ele tem seguido ou até por ter chegado ao fim, preste atenção: quem ama, respeita, conversa, interessa-se pelos sentimentos do outro, tenta chegar a um consenso e, acima de tudo, tem o mínimo de constância em suas atitudes. Quem ama, não termina sem antes tentar de outro jeito, ceder um pouco mais, colocar-se no lugar do outro. Quem ama, não age de modo dissimulado, sempre dando um jeito de reverter a situação e fazer o outro se sentir mal, culpado pelo que disse!

E, sendo assim, se o espertinho da sua vida terminou o namoro ou o casamento e agora só quer ficar com você, argumentando que não dá para voltar a ficar junto porque você não é confiável, mas também não lhe deixa em paz, especialmente, quando você arrisca outra relação ou quando ameaça nunca mais ficar com ele, abra os olhos! Esse pilantra tá tentando minar sua auto-estima, acabar com suas convicções e fazer você acreditar que realmente não é uma pessoa sensata.

Lembre-se que a decisão sobre o que vai ser da sua vida é, em última instância, sempre sua. Portanto, saia dessa cama de torturas e vá à luta, em busca de sua felicidade e, sobretudo, de um amor de verdade, porque esse é mais falso que CD pirata, vendido no camelô de feira de rua! E pode apostar: se for amor de verdade, se o danado apenas bobeou, certamente vai rever seu comportamento, mudar sua postura e vai assumir você!

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O texto de Dov Greenberg abaixo é um dos textos instigantes com os quais topei navegando pela web. Nesse caso, estava procurando algo sobre o tzimtzum ou interpretações da história bíblica de Léa e Raquel, não lembro com certeza.
A ideia de que, numa relação (no caso de que fala o texto, um casamento), o amor pode ser entendido como uma “retirada” voluntária do ego para criar um espaço vazio em si e na própria vida onde possa caber o outro, bem como a ideia de que num parceiro convivem uma Raquel e uma Léa, foram as que me pareceram instigantes, independentemente de se isso acontece dentro de um casamento institucionalizado. A cerimônia do casamento hassídico é uma bela representação simbólica dessas visões de uma relação amorosa, que se poderia transpor, me parece, para qualquer laço humano positivo, mesmo uma amizade.
A preocupação que moveu o autor do texto a falar do tema parece ter sido a alta incidência de divórcios. Não é preocupação que eu compartilhe com as várias comunidades religiosas, pelo menos não em termos dos pressupostos que as levam a ver isso como problema. Não é o motivo pelo qual o texto foi colocado aqui.  As questões que me (pre)ocupam é o que pode fazer que uma relação valha a pena e o que é preciso para construir uma relação que valha a pena. A questão de que na vida de uma pessoa só haja uma relação afetiva que dure para toda a vida não entra nisso, para mim, como questão indiscutível nem fundamental.

RAQUEL, LÉA E O CASAMENTO HASSÍDICO

Amor, como o ato da criação, é a coragem de criar espaço para a presença do outro.

Título original: Por trás do véu, Dov Greenberg

Sócrates, o grande filósofo grego, disse certa vez a um discípulo: “Meu conselho a você é que se case. Se encontrar uma boa esposa, será feliz; caso contrário, se tornará um filósofo.”

De fato, atualmente, temos muitos filósofos. Em nosso tempo, tem havido um aumento sem precedentes de relacionamentos rompidos. Nos Estados Unidos, estima-se que um em cada dois casamentos termina em divórcio. Famílias com apenas um dos pais dobraram nos últimos 20 anos. Apenas uma criança em duas terá pais que estavam casados quando ela nasceu e que permaneceram juntos até a criança crescer. (1)

Uma palestrante disse-me que durante anos ela tinha ido a escolas ensinar religião às crianças, e sobre “D’us nosso Pai”. Agora ela não pode fazer mais isso, porque muitas das crianças não entendem a palavra. Não a palavra D’us, mas a palavra “pai”.

Como um meteorito entrando no campo gravitacional da terra, o casamento e a família estão se desintegrando. O pior que podemos fazer agora seria entrar num debate sobre quem é culpado: indivíduo ou sociedade, afluência ou secularização. O que precisamos é imaginação, não recriminação; otimismo, não pessimismo. É aqui que a tradição mística judaica tem algo lindo e vital a dizer.

No capítulo inicial da Bíblia hebraica, onde se desenrola a história da Criação, a mística apresenta uma fascinante questão: Como, se D’us existe, o universo pode simultaneamente existir? D’us é infinito, D’us está em toda parte. Portanto, em qualquer lugar, existe tanto o finito como o infinito. Porém certamente o infinito supera tudo que seja finito. Simplesmente não há espaço para a matéria física se todo lugar está preenchido com a presença infinita de D’us. Como, então, existe um universo?

A resposta dos místicos é obrigatória. Para criar espaço para o universo, D’us, por assim dizer, iniciou um processo chamado “tzimtzum”, auto-contração ou retirada, criando um vácuo esférico; o espaço necessário para o mundo existir. Ao retirar Sua luz infinita, um mundo autônomo, independente, distinto de D’us, pode emergir. (2)

A conclusão? O universo é o espaço que o Autor do Ser cria para a humanidade por meio de um ato de retirada. Nenhum único ato indica mais profundamente o amor e a generosidade implícitos na Criação. (3)

Num estonteante paralelo, o mesmo se aplica aos relacionamentos humanos. (4)

No início da vida, não há consideração pelo outro. Um bebê recém-nascido não distingue entre si mesmo e o resto do universo. Conhece e se preocupa apenas com suas próprias necessidade. Ao chorar, está dizendo: “Quero Mamãe, quero ser alimentado, quero colo, quero que brinquem comigo, e se isso não for feito agora, vou arruinar sua vida.” Não há espaço para um outro. À medida que as crianças crescem e amadurecem, começam a sentir o outro como uma entidade separada. Começam a ter relacionamentos; começam a se importar com o outro. Este processo é essencial para um desenvolvimento sadio.

Como adultos, sabemos que para amar realmente, precisamos nos retirar de nosso “centro” (ego) e criar espaço para uma outra pessoa em nossa vida. Um relacionamento não é baseado em controle. Quando um parceiro domina o outro, exigindo que ele ou ela se conforme e suprima sua personalidade, a possibilidade de um relacionamento é extinta. O amor genuíno não apenas respeita a individualidade do outro, como também procura cultivá-la. Amor, como o ato da criação, é a coragem de criar espaço para a presença do outro. Quando o homem se afasta de si mesmo, atingindo o coração e a alma de outro ser humano, ele imita D’us, que escolhe suspender-Se para dar espaço ao outro. Stephen Hawking estava errado em seu livro Uma Breve História do Tempo. Não é por meio da Física teórica que abordaremos a compreensão da “mente de D’us”. É dando espaço a outra pessoa dentro de si mesmo.

Um rapaz e uma moça saíram para um encontro. Durante duas horas, ele falou sobre si mesmo, suas conquistas, sucessos e idéias. Então virou-se para ela e disse: “Chega de falar a meu respeito. Agora diga-me, o que você acha de mim?”

Existem duas palavras simples que ilustram essa noção mística de tzimtzum, contração. As palavras solo e alma. Representam dois opostos perfeitos: o material e o espiritual. A palavra “solo” representa o material. A palavra “alma” representa o espiritual. Quando a pessoa pensa apenas sobre “solo”, não cria espaço para outra pessoa. Mas quando pensa sobre “alma”, abre espaço para outra pessoa em sua vida. Está pronta para viver e amar com mais profundidade.

Esta idéia de tzimtzum se expressa na linda cerimônia judaica de casamento, conhecida como “bedeken”, ou velar. Antes da cerimônia da chupá, o noivo é escoltado até a sala onde a noiva está esperando, e cobre a face dela com um véu. Este costume tradicionalmente comemora o evento bíblico que ocorreu durante a cerimônia de casamento de Yaacov. A Torá relata que Yaacov viajou à casa de Laban. Ao chegar, encontrou a filha mais nova de Laban, Rachel, e se apaixonou por ela. Laban propõe um acordo: trabalhe sete anos para mim e eu a darei a você em casamento. Yaacov faz isso, mas na noite do casamento Laban substitui Rachel por Leah. Como a noiva estava velada, ele não percebeu que estava se casando com a moça errada. Yaacov descobriu o engano somente quando era tarde demais. Por fim, Yaacov aceitou seu destino e continuou com Leah. Mais tarde, porém, ele também desposou Rachel, a noiva que tinha escolhido.

A pergunta que surge é: se o velar nos lembra Yaacov e Leah, o costume não deveria ser o noivo descobrir o rosto da noiva para certificar-se de que está casando com a moça que escolheu?

A resposta é profunda e tocante. Leah e Rachel não são meramente duas irmãs morando na Mesopotâmia na primeira fase da Idade do Bronze. Elas também simbolizam duas dimensões de toda personalidade humana. Cada um de nós possui uma “Rachel” interior, bem como uma “Leah” interior. (5)

Rachel, a mulher linda, simboliza as características atraentes, charmosas e belas existentes em nosso cônjuge e em nós mesmos. O nome Rachel em hebraico significa “ovelha”, conhecida por sua cor branca e sua natureza amável e serena. (6)

Leah, um nome que literalmente significa cansaço ou exaustão (7), representa aqueles elementos em nós e em nosso cônjuge que são mais desafiadores. Leah, a irmã de “olho fraco”, era mais facilmente dada às lágrimas.8 Ela era emocionalmente vulnerável. Leah, enfraquecida pelas lágrimas e pela ansiedade, representa nosso conflito com a insegurança e com a tensão psicológica e espiritual.

Poucas pessoas podem ser definidas como “Rachel” ou “Leah”, exclusivamente. A maioria possui os dois componentes. Somos uma mistura de serenidade e tensão. Temos instintos compassivos mas devemos lutar contra instintos egoístas também. Temos luz, mas devemos lidar também com a sombra. Ambas são partes genuínas de nossa personalidade multi-dimensional. Rachel é a luz; Leah é a luta contra a escuridão.

Portanto, o drama que ocorreu no casamento de Yaacov, o Patriarca da nação judaica, acontece em todo casamento. Antes de se casar, você pensa que está desposando Rachel – a linda, inteligente, bondosa, sensível…a mulher dos seus sonhos. Na realidade, você vai descobrir que terminou com Leah, uma pessoa que também está em conflitos com tensão não resolvida.

Naturalmente, você ama Rachel, e rejeita Leah. Porém à medida que a vida passa você começa a descobrir que é exatamente a dimensão Leah de sua esposa que desafia você a transcender o seu ego e tornar-se a pessoa que é capaz de ser. Porque são as próprias falhas e imperfeições de seu cônjuge que permitem que você cresça em algo maior que si mesmo.

Este, então, é o segredo por trás do ato de velar a noiva. Quando o noivo vela sua noiva, está dizendo: “Eu amarei, prezarei e respeitarei não apenas o ‘você’ que se revela a mim, mas também aqueles elementos de sua personalidade que estão ocultos para mim. E quando me uno a você em casamento, comprometo-me a criar um tzimtzum, um espaço dentro de mim para a totalidade do seu ser – para toda você, para sempre.”

Isso, se realmente o fizermos, é o significado de Tzimtzum e tem o poder de banhar o alquebrado mundo atual na luz e espaço para a Divina Presença.

…………………………………………………………………….. Notas:
1 – Números extraídos de “Family Change and Future Policy”, de Kathleen Kiernan e Malcolm Wicks.
2 – Início de Eitz Chaim (Heichal Adam Kadmon, 1:2; Shaar HaHakdamot) e Mevo Shaarim, obras cabalistas de Rabi Isaac Luria (conhecido como o Arizal), transcritas pelo seu aluno Rabi Chaim Vital, Cf, Licutê Torá por Rabi Shneur Zalman de Liadi, adendo a vayicrá 51b-54d.
3 – Tanya, cap. 49.
4 – Veja Tanya ibid., citando uma declaração talmúdica (Bava Metziah 84a) sobre casamento: “O Amor Contrata a Carne”. Eis como Rabi Shneur Zalman declara a idéia: Veja também Homem de Fé no Mundo Moderno, pág. 157, por Rabi Joseph B. Soloveitchik.
5 – Bereshit cap. 29:16:31).6 – Ouvi isso pela primeira vez durante minha cerimônia de casamento do meu amigo Rabi Joseph Y. Jacobson. Veja também Luz Infinita (por Rabi David Aaron), págs. 37-38.
6 – Veja Licutê Torá por Rabi Shneur Zalman de Liadi (1745-1812) Parashá Emor pág. 38d. Veja também Yonas Alem por Rabi Menachem Azaryah de Fano (1548-1620) cap. 5, explicado em Licutê Sichot vol. 30 pág. 186.
7 – Mei Hashluach Parashá Vayetsê. Também Maamarei Admur HaZakan 5565 vols. 1 e 2.

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DO AMOR E SEUS SÍMBOLOS

A intensidade é criada quando você isola toda uma área da atividade humana, uma área inteira de linguagem verbal e pensamento humano, e as reserva para uma única pessoa.

Título original: Casamento versus viver junto, pelo Rabino Shmuel Boteach

Fiz uma palestra certa vez, na residência de um amigo em Londres, durante minha aula semanal para casais, dos quais muitos não necessariamente casados, sobre por que as pessoas deveriam transformar relacionamentos em casamento. Pela primeira vez um casal que estava vivendo junto em um relacionamento de vinte e sete anos, mas nunca havia se casado, compareceu.  (…) Ninguém poderia afirmar que não estavam comprometidos um com o outro. Na verdade, embora ambos fossem previamente divorciados, já estavam juntos por vinte e sete anos. Em seu testamento, tudo que ele possui está sendo legado a sua “parceira”, como ele se refere a ela. Mas ele se recusa a casar-se, porque já passou por um mau casamento e sente que não precisa disso. Considera o casamento como uma satisfação à comunidade, apenas um pedaço de papel sem nenhum significado. Eu discordo. Ele estava dizendo que o casamento é apenas um símbolo daquilo que sentem um pelo outro, e que os símbolos não são tão importantes assim.

Primeiramente, como dissemos em muitos destes ensaios, o casamento é muito mais que um símbolo. Porém mesmo os símbolos são importantes; a vida está repleta de símbolos. Para um judeu, por exemplo, colocar o solidéu (kipá) é um símbolo de orgulho por seu Judaísmo. É uma proclamação ao mundo daquilo que ele é. Suas ações serão baseadas no fato de que ele sabe que as pessoas sabem que ele é judeu. (…)

Embora um símbolo meramente represente alguma outra coisa, nossa prontidão em abraçar ou rejeitar aquele símbolo torna-se a chave daquilo que sentimos pelo objeto que representa. Quando um homem usa um anel de casamento, é como se fosse uma declaração ao mundo, não apenas que ele está amando alguém, como também que está tão orgulhoso disso, que anuncia este fato ao mundo todo. Diz ao mundo que está casado, que não apenas ama uma pessoa, como também está se afastando de formas íntimas de afeição com outras mulheres. Quando uma mulher orgulhosamente exibe seu anel de noivado, está proclamando a todos que quiserem ouvir que ela acredita que seu noivo é alguém especial, e que ela se considera uma pessoa de sorte.

Sonhos e símbolos

Estes símbolos são incrivelmente importantes. Toda empresa precisa de um logotipo, todo país possui uma bandeira, toda religião necessita de um ícone. Entendemos sua necessidade e sua importância. De repente, quando se trata de casamento, as pessoas dizem que é “apenas” um símbolo. Perdemos todo o respeito por símbolos na sociedade de hoje.

Eis por que em meu primeiro livro Sonhos eu discuto que as pessoas não podem entender seus sonhos. Acordam pela manhã tendo visto durante a noite estas imagens poderosas de suas vidas que, se fossem compreendidas, lhes diriam tanto sobre si mesmos, especialmente aquelas coisas que podem não estar prontos para encarar conscientemente. Coisas que falam de emoções tão grandes que jamais poderemos expressar, segredos tão profundos e escuros que não ousamos enfrentar, ganham vida em cores reais. Porém, nós os descartamos rapidamente, e esquecemos nossos sonhos porque não podemos entendê-los. Perdemos nossa capacidade de apreciar os símbolos, imagens visuais e linguagem pictórica. Podemos apenas falar verbalmente (…) Somos ignorantes, bem como apáticos, sobre a linguagem dos símbolos.

Qual a diferença entre linguagens verbais e visuais? A linguagem verbal faz com que o ouvinte evoque uma imagem em sua mente. Por exemplo, se eu descrever todos os detalhes da casa onde cresci em Miami Beach, cada leitor terá um quadro diferente sobre o aspecto da casa em sua imaginação. A razão é esta: ao assimilarem os vários detalhes da casa em um todo coerente, serão eles a criar e formar a imagem na mente. Porém, se eu imprimisse o desenho da casa junto com a descrição da mesma, todos os leitores saberiam exatamente como ela era. Em outras palavras, imagens visuais são poderosas porque plantam uma imagem na mente do observador. Produzem um impacto ao carimbarem sua impressão na pessoa que as olha.

Quando você apenas diz verbalmente a uma pessoa que a ama, ou que irá viver com ela, isso tem algum impacto, é de certa forma poderoso. Quando lhe demonstra isso em cores vivas ao dar-lhe um anel na presença de toda a comunidade, está dizendo: “sou seu”, numa declaração de amor que eles jamais poderão esquecer. Está carimbado neles como um selo de aprovação. Alguém está proclamando: “Você é meu, não importa quantos queixos venha a ter daqui a cinquenta anos, ou como será sua saúde durante a vida. Sempre o amarei e lhe terei devoção”. Em um casamento judeu, a mulher não usa jóias sob a chupá (pálio nupcial), e um homem nada tem em seus bolsos; a mulher usa um véu para mostrar que a despeito de sua beleza ou do status financeiro do casal, mesmo se os bolsos estão vazios, mesmo assim amam um ao outro. Estão assumindo um compromisso para toda a vida, independente de quaisquer considerações externas. Está sendo mostrado a toda a comunidade. Este símbolo é tão poderoso porque é uma representação visual de seu amor; algo que a palavra “relacionamento” jamais poderá transmitir. Mesmo nos dias de hoje, sabemos que o casamento é intenso e compromissado. Um relacionamento sempre oferece uma porta de saída.

Saber que você está casado com alguém é a suprema e constante declaração de amor. Em um relacionamento sempre há uma ambigüidade; será que ele me ama? Será que ainda me ama? Você está sempre se questionando. Isso também pode existir no casamento, mas pelo menos ocorre dentro de uma estrutura completa do amor e compromisso que assumiram um com o outro.

Proclamação total de amor

A idéia completa de um símbolo é que uma foto pode captar algo em sua totalidade. Esta foi minha intenção com o exemplo da casa. Que uma foto diz tudo aquilo que diria um livro inteiro sobre a casa. Captura tudo, e coloca tudo junto numa imagem visual. Causa um impacto muito mais poderoso no observador. Eis o que é o casamento. Encerra todos os sentimentos que você tem pela pessoa. É a declaração de um ser humano a outro: “Eis o quadro de meus sentimentos, eu sou seu… Amo tanto que quero me arriscar por você. Aceito o comprometimento absoluto. Não sei como me sentirei em dez ou vinte anos, mas isso não faz diferença. Minha proposta de casamento encerra tudo aquilo que sinto a seu respeito”. Não há melhor maneira de expressá-lo.

De que forma um relacionamento pode dizer tudo isso? É claro que você pode dizer a alguém: “Estamos vivendo juntos, eu a amo, você é minha, saímos juntos, compartilhamos o mesmo espaço, o mesmo dinheiro, portanto não precisamos nos casar. Já temos isso tudo”. Porém, mesmo assim, são somente palavras. Não há uma imagem. Sempre deixa margem para alguma ambigüidade, da mesma forma que cem pessoas diferentes farão uma centena de imagens diferentes de minha casa após lerem minha descrição. Uma centena de pessoas terá cem diferentes modos de pensar sobre o que significa um relacionamento. É sério, não é sério? É intenso, não é intenso? Como foi dito acima, a palavra relacionamento nada significa e nada transmite.

Porém casamento significa o mesmo para todos. Significa compromisso. Significa: pertenço a você. Significa que estamos juntos para sempre, e lutaremos para fazer este casamento dar certo. Não sairei simplesmente porta afora na primeira vez que você perder a paciência comigo. Significa que como marido e mulher, nos reservamos algumas experiências apenas um para o outro, e isso é o que as torna tão intensas. A intensidade é criada quando você isola toda uma área da atividade humana, uma área inteira de linguagem verbal e pensamento humano, e as reserva para uma única pessoa. É como o dia de Shabat, diferente dos outros dias da semana, e que se distingue principalmente por ser tratado de forma diferente. Aqui a sua intimidade é preservada antes e durante o casamento para aquela pessoa que você vai amar. Pois tudo que você faz com ela é único, porque não é feito com ninguém mais. Não é como uma conversa que você acabou de ter, não é apenas como dar uma saída.

A vida trata de símbolos: o carro que dirigimos, a casa em que vivemos, as roupas que vestimos. Então, por que as pessoas sugerem que o casamento é um símbolo sem importância?

(…)

Apenas quando nossa intimidade é preservada para aquela pessoa em especial, e quando fazemos nossos maiores esforços para tornar nossa vida conjugal com nosso parceiro uma vida apaixonada, é que podemos sentir realmente que esta é uma atividade reservada especificamente para a pessoa com a qual se está casado. Isso em si nos impede de cometer adultério. Sentimo-nos diferentes. Não sentimos que isso é apenas um empreendimento casual.

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