dos investimentos



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Texto de Startupdareal, 3/3/2021


O problema não é deixar o dinheiro na poupança

Você não é um investidor, só é um cliente da corretora

Um fenômeno recente, e que me causa bastante espanto, é a ideia de que todo mundo deve se tornar um investidor.

Popularizado por vídeos no Youtube, e não por verdadeiros cursos certificados em escolas de investimentos, essa visão empurra pessoas de classes media e baixa para juntar os poucos centavos do seu salário e correr para investir na bolsa.

O otimismo exagerado em relação aos investimentos não é casual. Corretoras, grandes e pequenas, injetaram uma boa quantidade de dinheiro para atrair uma série de investidores amadores para a bolsa de valores.

Individualmente o montante não é grande, mas quando começam a atrair milhões de pessoas físicas para o mercado financeiro, esse bolo acaba crescendo bastante.

É com essa visão que as empresas de investimento entenderam rapidamente que convencer a grande massa de injetar dinheiro no mercado financeiro era um negócio bem lucrativo.

Moldar grandes influenciadores de finanças e usá-los para convencer o público de que o segredo para alcançar o primeiro milhão está nos investimentos é, por si só, um investimento bastante lucrativo.

O otimismo em relação aos investimentos não faz parte de uma melhor educação financeira, mas de um intenso trabalho de marketing inserindo milhões de brasileiros no funil das corretoras.

Para quem não conhece, um funil de marketing de conteúdo — bem básico — é dividido em 3 fases: topo, meio e fundo.

O objetivo desse funil é transformar visitantes de um blog, portal ou site em clientes pagantes de uma solução.

Normalmente, uma estratégia básica de marketing de conteúdo foca em produzir 80% do conteúdo com material de topo de funil.

Uma série de conteúdos para atender pessoas que não entendem profundamente do problema, mas que já possuem um determinado interesse no assunto.

É por isso que a maioria das empresas mantém blogs bem alimentados, um canal no Youtube com vídeos educativos que raramente mencionam o produto que estão vendendo, mas abordam os diversos temas gerais que envolvem o negócio.

A ideia é atrair uma massa de leitores interessados nestes assuntos para escorregarem através do funil.

Uma vez captados pelo topo do funil, uma parcela dessa audiência vai sentir vontade de se aprofundar ainda mais no problema. Essas pessoas serão facilmente atraídas para os conteúdos do meio do funil.

O meio do funil trabalha os visitantes que já entendem das dificuldades e necessidades do seu negócio, sentindo que precisam agir em direção à solução do problema. As interações aqui, normalmente, acabam se dando por meio de ebooks, webinars ou lives.

Nesse ponto, o trabalho é conectar o problema com a solução do negócio que será vendido.

Sabe aquele ebook da Empiricus? Ou o curso gratuito da Betina? Aquela live com um especialista para falar quais são as melhores ações para o período?

É exatamente disso que estamos falando aqui.

O fundo do funil chega quando um visitante tornou-se uma lead qualificada, e você precisa apenas que ele conheça melhor o seu produto, sem muitos rodeios, para que ele se torne de fato um cliente.

É claro que essa abordagem é simplista e pode mudar em detalhes de acordo com a empresa ou metodologia, mas o funcionamento não desvia muito dessa ideia.

Só que os especialistas em marketing sabem que, quando você está consumindo esse conteúdo no blog de uma empresa, o material vem carregado de uma atmosfera: “eu sei que ele só está tentando me vender um produto”.

E mesmo sendo bem eficiente, grande parte dos visitantes já abordam o conteúdo de uma forma meio cética.

Existe o trabalho consciente de convencer que o conteúdo é valioso e digno de crédito, que não é apenas um discurso de vendas gratuito. No entanto, por mais que esse trabalho seja feito, ele não é tão creditável, por exemplo, quanto um grande portal de notícias falando do mesmo assunto.

A saída que as corretoras encontraram para quebrar a barreira do conteúdo topo de funil é simples: comprar os grandes portais de notícia do ramo.

A Infomoney é da XP Investimentos, a Exame é do BTG Pactual.

Agora, distanciando o conteúdo da empresa, fica muito mais difícil visualizar que uma matéria pode ser apenas um meio para educar o mercado e atrair mais clientes.

O otimismo dos investidores pessoas físicas passa a ser facilmente manipulado. Os portais que emitem as informações que serão usadas para criar confiança ou medo no mercado financeiro, são controlados por quem mais se beneficia disso.

Pensando dessa forma, não é uma surpresa descobrir que a expectativa em relação às condições econômicas do investidor brasileiro está muito descolada do que na realidade acontece na economia.

Este artigo da Bloomberg, em 2019, já abordava que a distancia entre a expectativa e a realidade em relação as condições da economia brasileira nunca foi tão alto. E que se os resultados econômicos de Jair Bolsonaro falhassem, o impacto com a realidade poderia ser bem doloroso.

 

 

Os sites especializados em finanças e investimentos, controlados por grandes corretoras, não foram a única porta de entrada para pessoas físicas no mercado financeiro. Influenciadores surfaram nessa onda e, muitas vezes patrocinados pelas corretoras, faziam o trabalho de atrair pessoas que rejeitam um discurso mais técnico.


O artigo continua, e a continuação vale a pena. Para ir ao blog de origem, clicar aqui.


Sobre Ani

Outros que contem passo por passo | Eu morro ontem | Nasço amanhã | Ando onde há espaço: | – Meu tempo é quando. ~Vinicius de Moraes~
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