do estado de putrefação





“Estou aqui na terra de Bolivar, onde a pandemia segue controlada, apesar do bloqueio econômico que a impede de negociar e comprar vacinas. No entanto, a Venezuela conta com a solidariedade de países como a Rússia que faz uma espécie de “pendura”, fura o bloqueio e faz chegar milhares de doses.

Elas nem param na “prateleira”. Mal chegam e já são distribuídas aos quatro cantos para imunização do pessoal de saúde.

Aqui estão em recesso escolar. Durante todo o 2020 as aulas foram remotas. Parte dos estudantes e dos docentes recebeu um notebook básico chamado Canaima para realização das atividades. O programa de distribuição dos Canaimas já existia, meio que parou com o forte do bloqueio econômico e agora voltou, tímido ainda, mas voltou.

Os canais de tv públicos passam programação de ciências, de cuidados sanitários e de jogos educativos para o “activate” de corpo e mente. Todo dia tem informe das autoridades sobre os números da pandemia e sobre o uso dos parcos recursos públicos no combate ao vírus. Ouço que os profissionais da educação estarão entre os grupos prioritários de vacinação para que o modelo semi-presencial de ensino possa ser implementado em 2021.

Essa semana é de “quarentena radical”. Radical, mas nem tanto. As pessoas, em sua maioria, usam a máscara para sair de casa. O comércio funciona, mas com horário reduzido. Ninguém acessa qualquer estabelecimento sem antes ser “aspergido” com antibactericida e a temperatura verificada. Nos aeroportos, o controle é mais rígido. Radical mesmo é o comprometimento da maioria com a vida de todos. “Si yo me cuido, yo te cuido; se tu te cuidas, tu me cuidas” é o lema repetido à exaustão pelas propagandas na TV, pelas autoridades, presidente à frente.

Recebo noticias do Brasil. Meu país que até poucos anos atrás era exemplo para o mundo. A cada notícia, tristeza e muita apreensão. Querem voltar as aulas presenciais. Sem vacina. Sem condições sanitárias nas escolas. Penso: não se consegue controlar o piolho na escola, imagina um vírus mortal!! Com uma variante que leva crianças para os hospitais. Não tem leito! Penso de novo: para o sul, onde estão meu filho, minha família, minhas amigas e amigos, meus compas de vida, não tem como chegar o oxigênio da Venezuela, esse vítima da fake news da White Martins e que continua chegando aos estados do norte.

Leio na imprensa mundial que a pandemia recua no mundo na velocidade da vacinação. No Brasil, só cresce. E mata!

Como chegamos nesse estado de putrefação social, onde genocidas estão no poder e o mercado ignora a vida? Onde religiosos defendem armas e embriões enquanto mandam, sem piedade, pessoas para as “câmaras de gás”? Ou defender com agonia o que leva pessoas a sufocarem até a morte não é a mesma coisa?

O silêncio de alguns grita! Responsáveis ou coniventes com todo esse fratricídio olham para o outro lado para não verem os ‘fura fila’ da vacinação, a lotação dos hospitais, o apelo desesperado do pessoal de saúde. O Deus Mercado definiu que o sacrifício humano virá dos países subalternos. E o Brasil está de quatro, com a coleira no pescoço, montado por um genocida no planalto e seguido por seus miquinhos adestrados nos estados e municípios.

Voltar as aulas, no pior momento da pandemia, é assassinato premeditado com requintes de crueldade. É extermínio. É a tal redução populacional que o hegemon aplica no mundo de tempos em tempos, mandando os vulneráveis pra guerra para morrer pelo capital.

Nunca uma falta de soberania foi tão bem explicada e da pior forma possível.

Tristes tempos.

Soraya da Silveira Franke


Sobre Ani

Outros que contem passo por passo | Eu morro ontem | Nasço amanhã | Ando onde há espaço: | – Meu tempo é quando. ~Vinicius de Moraes~
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