tempo de criatividade e invenção


Segurar firme, ativar cérebro e coração para o tempo da invenção.



Live – Distanciamento social: até quando? – Átila Iamarino e Mônica De Bolle


A economia é feita de pessoas, pessoas em circulação. A dicotomia entre economia e saúde é falsa porque: na quarentena, você não tem pessoas em circulação por causa da quarentena; mas, se você deixar a quarentena para lá, relaxar todas as medidas e deixar as pessoas irem para a rua, elas ficam doentes e elas deixam de circular também, não de imediato, mas um pouco mais à frente, de maneira mais irreversível. Quem fica parado nesse falso dilema está deixando de ver à frente o que vai acontecer com sobrecarga do sistema de saúde, com as pessoas não tendo atendimento, com sensação de pânico que isso gera na população, com eventuais repercussões sociais, repercussões políticas e, obviamente, repercussões econômicas. O impacto econômico vai existir de qualquer forma.

Por ser uma crise de saúde e por ser uma crise de saúde inédita para nós, as implicações econômicas são igualmente inéditas. A gente nunca viu isso. A gente que sempre tenta buscar alguma referência no passado para daí fazer uma inferência sobre o que pode vir à frente, a gente hoje não tem essa possibilidade. Nem na área da saúde, como você colocou, nem na área da economia. A gente não tem qualquer coisa no passado que sirva de corrimão. A gente vai inventar o que vai ser. A gente vai, ao longo do tempo, ver como é que a coisa vai ser feita, e o sistema vai se adaptar a uma realidade que é completamente distinta do que a gente já viu até hoje.

Falando em inventar, se vamos ter esse problema por pelo menos mais um ano ou dois […] Manter o comércio essencial, trazer novos que são quase tão essenciais quanto e inseguros, e comércios que não são tão essenciais mas são muito seguros… Qualquer medida dessas depende de testes. Qualquer coisa que a gente vá fazer, enquanto houver Covid no mundo, vai dependerde a gente usar máscara, vai depender de os médicos estarem equipados […], para a gente poder atender mais pessoas e poder ficar aberto por mais tempo, levantar esse tipo de quarentena por mais tempo, dependemos de leitos hospitalares, de profissionais de saúde saudáveis, policiais saudáveis, comerciante saudáveis… ou seja, eles também dependem de equipamentos de proteção. Então, no mínimo, pelo menos testes e equipamentos de proteção vão estar em demanda por muito tempo, que a gente não tem todo mundo como comprar do mesmo lugar. Até para remédio, os insumos para produção de medicamentos estão acabando. Parte dos centros de produção de medicamentos e de equipamentos de proteção e saúde do mundo são China, Itália e Índia, que já está em lockdown. Uma série de coisas vão começar a faltar e a gente não tem como voltar aos bons centros de onde a gente comprava aquilo sempre. Acho que pelo menos uma parte da inovação que a gente tem que fazer daqui para a frente segue nessa linha.

No tema invenção ou reinvenção, você precisa (re)converter uma série de coisas dentro na nossa capacidade produtiva para dar suporte a isso. Por exemplo, sobre equipamentos de proteção, que a gente vai precisar produzir em larga escala, porque não vai dar para depender dos outros. Em larga escala porque não só para os profissionais de saúde mas para todas aquelas pessoas que vão estar fazendo trabalhos essenciais, e depois, num relaxamento da quarentena, para a população em geral, máscaras no mínimo, talvez outras coisas também. O Brasil já deveria estar pensando em usar o parque industrial que tem para que, por exemplo, a indústria têxtil, a gente poderia reconverter para produzir em larga escala equipamentos de proteção pessoal;a gente poderia converter a nossa indústria que está toda mais ligada a engenharia para produzir respiradores mecânicos ou outros tipos de equipamentos hospitalares necessários para tratar da Covid. Então tem um esforço aqui da saúde ligada à economia em que você volta a economia para a área de saúde, e portanto você mantém até um nível de operação econômica de uma forma totalmente diferente, porque você converteu algumas fábricas e alguns setores industriais inclusive para voltá-los para a área de saúde, mas é um esforço que precisa ser feito e que está sendo feito em alguns países.

[…] Fora todo o aprimoramento que a gente vai ter que ter em conexão de internet. Porque muita gente vai ter que continuar trabalhando de casa.

[…] Todo mundo está procurando alguma forma de autossuficiência,  porque é uma questão de segurança nacional.


Sobre Ani

Outros que contem passo por passo | Eu morro ontem | Nasço amanhã | Ando onde há espaço: | – Meu tempo é quando. ~Vinicius de Moraes~
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