das artes da tortura



e golpes




Por Pedro Cardoso, no Instagram, lá por 07/04/2020

Amigos, precisamos nos ajudar. Sobre a última cena do caso Mandetta, demitido ou mantido ministro da saúde, penso o seguinte:

Para compreender Messias precisamos entender como pensa o torturador, não o político. A morte do torturado é a derrota do torturador. Ao fazê-lo morrer, o torturador perde o seu divertimento.

O torturador precisa manter o torturado vivo e com esperança de parar de sofrer. Quando Messias flerta com o alucinadamente irresponsável Osmar Terra e depois mantém Mandetta ministro, ele está exercendo o seu prazer mórbido de nos aterrorizar com o pior para depois nos esperançar com o menos pior.

Fosse uma tortura física, Osmar seria o choque elétrico anunciado mas adiado; Mandetta é o tapa na cara que ocupa o lugar do choque. O tapa parece um conforto quando substitui o choque; mas tudo é a sessão interminável de tortura a que estamos submetidos desde que 57 milhões colocaram um torturador no poder.

Tomemos muito cuidado com as artes da tortura. Sentirmos alívio pelo golpe menos violento é o começo do caminho que nos leva a sermos gratos ao torturador por ele ter poupado a nossa vida.

Messias se vale da pandemia para torturar o povo brasileiro com a permanente ameaça assassina de liberar o convívio, mas sabe que, se o fizer, corre o risco de matar o torturado; ou de desesperançá-lo; e a tortura, para sua eficiência, depende de manter o torturado cheio de esperança.

Precisamos entender que não estamos lidando com política, mas com tortura. Lembrem: ao perceber a indignação ao termo “gripezinha”, Messias foi à TV repeti-lo. Ali o torturador havia descoberto um lugar onde o golpe dói ainda mais; e lá foi ele, cheio de prazer, repetir a agressão.

Pensar Messias como um político é um erro. Ele tem que ser entendido como o que ele e: um torturador. Só assim teremos alguma chance de nos defender. Políticos eram outros.

Para nos opormos a Messias é preciso conhecermos como se opera a tortura, e evitarmos as suas armadilhas psicológicas. Mandetta como ministro da Saúde é um tapa na nossa cara. E o tapa não se faz um carinho apenas porque o choque elétrico seria mais doloroso. Os dois são igualmente uma agressão covarde”.


E aqui Pedro Cardoso complementa:


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Bom dia. A colega Rosimar, que conheci nessa praia árida daqui, fez significativa observação a minha resolução de não enfrentar Messias com a um político, e sim como a um torturador. Ela vê razão no que digo mas chama a nossa atenção para a política que sustenta Messias no poder. E me parece que ela está certíssima em faze-lo. Impulsionado pela precisão do que ela diz, me animo em tentar aperfeiçoar o meu dito. A política que Messias faz é comandada pelo sadismo dele. Não é política estrito senso; não deseja construir projeto político algum; mas apenas mante-lo no poder onde ele tem poder para exercer o seu prazer. Mas um verdadeiro processo político o levou e o mantém na gerencia do executivo. Processo esse dominado por elites econômicas que tinham o PT como inimigo absoluto de seus interesses. (Pena é o PT ter dado pretexto e alguma razão a seus inimigos!). A adesão oportunista desses grupos à vaga messiânica não é leviana. Interessa-lhes um capataz incapaz. Serve-lhes que Messias seja cruel e sádico. Alguém assim mantem o povo acuado e enlouquecido. Temos passado nosso tempo distraídos da verdadeira política ocupados que estamos em escapar da tortura imposta por Messias ao nosso cotidiano. A pandemia apenas torna evidente a sessão permanente de tortura a que já estávamos submetidos antes. Para derrotarmos o nazifascismo messiânico de falsa fé há duas frentes de batalha, portanto: 1) Escaparmos da armadilha psicológica do torturador e 2) identificarmos os interesses de classe que o levaram e o mantém no poder. Não reconhecer em Messias uma ação conduzida por desejos de fazer política – mas de torturar – não deve nos alienar do verdadeiro processo político que o levou ao cargo; este sim autenticamente político. Agradeço a Rosimar esta fundamental contribuição a minha proposição primeira. E me desculpo desde já caso eu tenha sido impreciso em relatar o que ela disse. O comentário dela está lá na minha postagem última sobre Bolsonaro. Vale a leitura. 👍🇧🇷👍. Tudo fica agora melhor dito do que antes, espero. Na postagem seguinte, sobre sindicalismo, há excelentes contribuições. Sugiro que leiam os comentários. Em especial o de Pessoa filha. Tocou-me sobretudo.

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Sobre Ani

Outros que contem passo por passo | Eu morro ontem | Nasço amanhã | Ando onde há espaço: | – Meu tempo é quando. ~Vinicius de Moraes~
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