No Metrópoles DF, 21/02/2019
“Eu preciso rejeitar o feminino para me provar homem. Isso é misoginia. O Brasil é um país, infelizmente, sexista e profundamente misógino. Tem horror às mulheres e às suas qualidades.”
A violência contra a mulher no Brasil é uma epidemia, cujo vírus está inoculado nos padrões de comportamento construídos pela nossa sociedade. Os feminicídios são o resultado extremo de uma cultura que transforma homens em agressores, e mulheres, em vítimas. Pesquisadora em estudos de gênero, a professora da Universidade de Brasília (UnB) Valeska Zanello explica os mecanismos perversos por trás da violência doméstica.
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Neste 2019, o Metrópoles inicia um projeto editorial para dar visibilidade às tragédias provocadas pela violência de gênero. As histórias de todas as vítimas de feminicídio do Distrito Federal serão contadas em perfis escritos por profissionais do sexo feminino (jornalistas, fotógrafas, artistas gráficas e cinegrafistas), com o propósito de aproximar as pessoas da trajetória de vida dessas mulheres.
O Elas por Elas propõe manter em pauta, durante todo o ano, o tema da violência contra a mulher para alertar a população e as autoridades sobre as graves consequências da cultura do machismo que persiste no país. Desde 1° de janeiro, um contador está em destaque na capa do portal para monitorar e ressaltar os casos de Maria da Penha registrados no DF. Mas nossa maior energia será despendida para humanizar as estatísticas frias, que dão uma dimensão da gravidade do problema, porém não alcançam o poder da empatia, o único capaz de interromper a indiferença diante dos pedidos de socorro de tantas brasileiras.
Confira a reportagem completa: https://bit.ly/2UYGdC9
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No Tedx Talks, 15/05/2015
POR QUE XINGAMOS HOMENS E MULHERES DE MODO DIFERENTE?
“O que esses xingamentos nos informam acerca dos processos de subjetivação da mulheres? Na nossa cultura, as mulheres se subjetivam principalmente em dois dispositivos: o amoroso e o materno. O que quer dizer o dispositivo amoroso? Quer dizer que as mulheres se subjetivam numa relação consigo mesmas mediada pelo olhar de um homem que as valide. Elas se subjetivam no lugar de objeto de desejo. O comportamento sexual ativo tem que ser punido para que ela tenha valor no mercado do amor. […] É mais ou menos o seguinte: dentro da prateleira do amor, eu tenho que estar num lugar onde eu seja passível de ser escolhida. Mas não se questiona se eu escolho.”
Fez lembrar do parente que me disse (por minha falta de interesse em certo ‘pretendente’): “Quem muito escolhe acaba escolhido, hahahaha” (no sentido do feijão que é posto de lado quando se escolhe feijão). E ouviu em resposta: “Antes só do que mal acompanhado, não é?, hahahaha”. Imediatamente vi estampar-se no rosto do parente uma raiva inesperada. A coisa parece ir além do “não se questiona se eu escolho”: é sentir-se autorizado a se intrometer depreciativa e raivosamente se minha posição é a de escolher alguma coisa. Por outro lado, cheguei a ouvir do dito pretendente que eu o amava, mas não sabia. Além de quem se atribui superioridade para ditar o que você deve escolher, tem quem se atribui superioridade para ditar o que você sente. Surreal.
“Eu nunca entendi por que ‘mulherzinha’ é xingamento. […] É um xingamento homofóbico, mas prestem atenção: no centro da homofobia tem uma misoginia. Tem um ódio às qualidades das mulheres.”









