A imprensa e o capitalismo de compadres


lobby



Observatório da Imprensa, 19/10/2015

A IMPRENSA COMO ANTÍDOTO PARA O CAPITALISMO DE COMPADRES

Uma imprensa forte, independente e diversificada é a ferramenta mais eficiente para combater um tipo de capitalismo que está crescendo aceleradamente em todo mundo: o capitalismo de compadrio ou capitalismo corporativo (em inglês “crony capitalism”), onde os agentes econômicos se agrupam para promover seus interesses em prejuízo da competitividade e do livre jogo do mercado.

É o que afirma o escritor e professor de economia e negócios na Universidade de Chicago, Luigi Zingales, num artigo onde ele afirma que a formação de grupos corporativistas distorce os mecanismos fundamentais do capitalismo e potencializa crises graves porque o mercado não consegue mais harmonizar os interesses em conflito. O professor Zingales sugere que os economistas passem a dar mais importância à imprensa como plataforma para a livre circulação de ideias e opiniões, com o objetivo de reduzir a influência do compadrio de interesses no funcionamento da economia mundial.

A seguir publicamos três parágrafos (em inglês) do artigo publicado pelo jornal Financial Times:

“The reason why a competitive capitalism is so difficult to achieve is that it requires an impartial arbiter to set the rules and enforce them. Markets work well only when the rules of the game are specified beforehand and are designed to level the playing field. But who has the incentives to design the rules in such an impartial way?

While everybody benefits from a competitive market system, nobody benefits enough to spend resources to lobby for it. Business has very powerful lobbies; competitive markets do not. The diffused constituency that is in favour of competitive markets has few incentives to mobilise in its defence.

This is where the media can play a crucial role. By gathering information on the nature and cost of cronyism and distributing it among the public at large, media outlets can reduce the power of vested interests. By exposing the distortions created by powerful incumbents, they can create the political demand for a competitive capitalism.”

“A razão pela qual um capitalismo competitivo é tão difícil de conseguir é que ele requer um árbitro imparcial para estabelecer as regras e fazer com que sejam cumpridas. Os mercados funcionam bem apenas quando as regras do jogo são especificadas de antemão e desenhadas para nivelar o meio de campo. Mas quem tem incentivo para definir as regras dessa forma imparcial?
Se por um lado todo mundo se beneficia de um sistema de mercado competitivo, ninguém se beneficia o suficiente para despender recursos para fazer lobby em favor dele. O mundo dos negócios tem lobbies poderosíssimos; os mercados competitivos não. A difusa base de apoio político a favor dos mercados competitivos tem poucos incentivos para se mobilizar em defesa deles.
É aqui onde a mídia pode desempenhar um papel crucial. Reunindo informações sobre a natureza e o custo dos lobbies e difundindo essa informação entre o grande público, a publicização midiática pode reduzir o poder dos intereses velados. Expondo as distorsões criadas pelos poderosos representantes dos lobbies, pode-se criar uma demanda política por um capitalismo competitivo.”
[Tradução do trecho em inglês para o português minha, portanto arriscada a não estar tão 100%. Mas se ajudar que tem menos facilidade de leitura, já tá bom.]
[A estimativa do Marcio Pochmann – economista e professor da Unicamp – sobre a porcentagem do Congresso Nacional que representava interesses privados era entre 80 e 90%, se me lembro bem (numa palestra no ano passado, 2014). Nosso livre mercado é bem duvidoso. Muitas falácias a pôr em claro e a passar a limpo, e ainda nem é sobre o “capitalismo”, mas sobre esse estranho simulacro de capitalismo atual. Duro é quando a mídia de maior alcance de público é justamente a parte mais forte do lobby político em favor dos monopólios e dos capitalismos de compadrio (e/ou hereditários e/ou multinacionais e/ou imperialistas etc – eu costumo chamar de máfia mesmo). Adivinhem a que pátria e a que mídia estou me referindo.]

Texto integral do artigo “A strong press is best defence against crony capitalism”.

Sobre Ani

Outros que contem passo por passo | Eu morro ontem | Nasço amanhã | Ando onde há espaço: | – Meu tempo é quando. ~Vinicius de Moraes~
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