Feminismo e Miss Representation


Nós deveríamos todos ser feministas – Chimamanda Ngozi Adichie para TEDxEuston

“Quando eu procurei pela palavra no dicionário, era isto que dizia: Feminista – a pessoa que acredita na igualdade social, política e econômica entre os sexos.”

“A minha própria definição de feminista é ‘um homem ou uma mulher que diz: sim, existe um problema com os papéis de gênero como são hoje e nós devemos consertar isso; nós devemos fazer melhor.'”



As Mulheres na Mídia
por Pablo Villaça no Facebook

O documentário Mulheres na Mídia (Miss Representation, EUA, 2011), sobre a representação das mulheres pela mídia (especialmente norte-americana), é assustador mesmo para quem SABE como Hollywood é sexista.

Um exemplo: mulheres em seus 20-30 anos compõem 39% da população feminina dos EUA, mas são 71% das personagens femininas na TV norte-americana; já mulheres com mais de 40 anos, embora componham 47% da população feminina dos EUA, representam apenas 26% das personagens femininas na TV. Por quê? Simples: seu valor é julgado pela aparência e pela sexualidade, não pelo que fazem ou representam.

Aliás, se há uma observação certeira em Miss Representation, é a de que somos uma sociedade composta por adolescentes do sexo masculino. Mesmo mulheres em posição de destaque, poder e influência são analisadas em primeiro lugar por suas aparências, corpos e roupas; constantemente comentamos/criticamos elementos que JAMAIS abordaríamos se fosse um homem na mesma posição.

Da mesma maneira, um elemento que nunca havia me ocorrido (mas que é óbvio) é como a mídia (TV, Cinema, revistas e jornais) agiu após a 2a. Guerra: durante o confronto, as mulheres assumiram os postos de trabalho na indústria dos EUA enquanto os homens estavam na Europa. Pesquisas feitas na época mostravam que 80% delas queriam permanecer em seus empregos após o fim da guerra. Porém, quando os homens voltaram, em DOIS DIAS, 800 MIL MULHERES foram demitidas para que seus postos fossem dados a eles.

E o que a mídia fez para que elas se contentassem em ficar em casa? Criaram filmes, programas de TV e matérias “jornalísticas” que defendiam a posição “natural” da dona-de-casa, que retratavam as mulheres independentes de forma caricatural e negativa.

Em resumo: a mídia foi usada pra condicionar as mulheres a aceitarem o posto de submissas com relação ao homem.

Outro dado alarmante: 97% das posições de destaque na mídia (donos de empresas, editores, diretores, etc) são ocupadas por homens. Em outras palavras: embora as mulheres representem metade da população, 97% dos responsáveis por aprovarem histórias são do sexo masculino, garantindo que a representação simbólica da perspectiva feminina na mídia seja nula.

Uma coisa é saber que somos uma sociedade sexista; outra é ver os dados expostos assim. Chega a ser chocante. Revoltante. Desanimador. E então surgem homens dizendo que as mulheres querem “privilégios”, que o feminismo é sobre “odiar homens” e por aí afora. Honestamente? Mesmo que o feminismo FOSSE sobre “odiar homens” (NÃO É), eu entenderia. Na posição das mulheres, como não antagonizar seus opressores históricos?

Como escrevi certa vez, considero-me um privilegiado por ter crescido numa família de mulheres fortes. Mas, mais importante, espero estar criando Nina para ser uma mulher ainda mais forte. Não quero vê-la limitada pela percepção masculina.

Pois a mídia condiciona o público feminino a buscar a aprovação dos homens. Isso é perverso, absurdo, revoltante.

E tem que acabar.


Comentário de Rafaela Nunes no post do Pablo: Só em adição ao que você escreveu, um dos símbolos mais usados no feminismo, o da operária chamada Rosie the Riveter com a frase “we can do it”, é originado da campanha da segunda guerra mundial para levar as mulheres para trabalhar nas fábricas… O que ‘obviamente’ não se fez mais necessário quando os homens voltaram. Também vale lembrar que embora essas mulheres exercessem a mesma função, elas não ganhavam o mesmo salário, o que ainda acontece nos dias de hoje. Foi a partir de ambas as guerras mundiais que o papel feminino aumentou e as lutas para a emancipação se intensificaram. As mulheres que negam o feminismo porque não se acham oprimida apenas ignoram o fato de que tudo que elas conseguiram até hoje é fruto de sangue, lágrimas e a vida dessas mulheres… e também não sabem reconhecer as formas sutis (e não sutis) do sexismo ainda muito presentes na sociedade. Uma pena. […] (A Rafaela recomenda o vídeo inicial. Eu já conhecia, mas me fez lembrar que ele ainda não estava aqui no blog.)


Trechos de Miss Representation:

“Eu não conseguia imaginar como minha filha poderia crescer emocionalmente saudável.”

“A auto-objetificação tornou-se um problema nacional.”

“Quando você não é tratada de maneira igualitária, você é desumanizada.”

“A quantidade média de notícias sobre mulheres e garotas é menos de 20%. Quando algum grupo não é representado na mídia, essas pessoas se perguntam: ‘Bom,  qual é a minha participação nessa cultura?’ Há um termo acadêmico para isso: aniquilação simbólica.”

“Essas imagens são parte de um clima cultural no qual as mulheres são vistas como coisas, como objetos. E transformar o ser humano em coisa  é quase sempre o primeiro passo em direção à justificação da violência contra essa pessoa.”



Anúncios

Sobre Ani

Outros que contem passo por passo | Eu morro ontem | Nasço amanhã | Ando onde há espaço: | – Meu tempo é quando. ~Vinicius de Moraes~
Esse post foi publicado em Condição das mulheres e marcado , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s