canção da carochinha











As coisas mais simples são as melhores, né? Chama “Senhorinha”. Eu fiz para as minhas duas filhas quando elas eram pequenas. Eu visitei uma fazenda, no estado do Rio de Janeiro, num domingo, com a minha filhinha mais nova, que era muito doente. Não se alimentava, esteve para morrer várias vezes. E nesse domingo a menina passou o domingo vendendo saúde, comendo bem, se alimentando, brincando, rindo, coradinha. Vendeu saúde nesse domingo dentro dessa fazenda. Quando eu cheguei em casa, eu compus a música e dediquei às minhas duas filhas. E contei a história para o Paulo César Pinheiro: que eu tinha passado o domingo numa fazenda… Por isso que ele começa: “senhorinha, moça de fazenda antiga…” [Guinga, no último vídeo]


Está entre as top das canções mais lindas da MPB, na minha modesta opinião. E olha que ser uma das primeiras entre as canções mais lindas da MPB é enfrentar um páreo duro, sem querer ser ufanista (mas já sendo: no que se refere à música brasileira, admito que sou). A melodia é um primor. A riqueza semântica das rimas em -inha na letra, uma preciosidade. Melodia e letra nascidas uma para a outra, em delicadeza, no clima de época. Só não entendo o que o Guinga vê de “simples” nessa canção. Parece sofisticada à beça, para esta leiga intuição cancioneira. No mais, aqui no blog, é homenagem ao aniversário de uma vó falecida, sua caligrafia quase artística, seus poemas com métrica e rimas, seu falar de primeiros anos do século XX, sua casa de jabuticabeira no quintal e relógio de pêndulo na parede, sua cadeira de balanço de palhinha, seu coque, seu crochê, meu vínculo afetivo com ela, tão inexplicável que chega a ser difícil de acreditar: deve ser conto da carochinha. Minha gravação preferida entre as do post: a da Mônica Salmaso. Sem mais.


SENHORINHA
Guinga / Paulo César Pinheiro

senhorinha
moça de fazenda antiga, prenda minha
gosta de passear de chapéu, sombrinha
como quem fugiu de uma modinha

sinhazinha
no balanço da cadeira de palhinha
gosta de trançar seu retrós de linha
como quem parece que adivinha (amor)

será que ela quer casar
será que eu vou casar com ela
será que vai ser numa capela
de casa de andorinha

princesinha
moça dos contos de amor da carochinha
gosta de brincar de fada-madrinha
como quem quer ser minha rainha

sinhá mocinha
com seu brinco e seu colar de água-marinha
gosta de me olhar da casa vizinha
como quem me quer na camarinha (amor)

será que eu vou subir no altar
será que irei nos braços dela
será que vai ser essa donzela
a musa deste trovador

ó prenda minha
ó meu amor
se torne a minha senhorinha











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Sobre Ani

Outros que contem passo por passo | Eu morro ontem | Nasço amanhã | Ando onde há espaço: | – Meu tempo é quando. ~Vinicius de Moraes~
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