Coisas de especialista: faxina


faxina na idade da pedra


Numa rara ocasião de bate-papo fora de situação de trabalho com um dos maiores especialistas do Brasil na minha área de especialidade, no fumódromo, recebi recentemente pelo menos duas lições interessantes. Primeira: como fazer faxina. Porque faxina, modéstia à parte, ele sabe fazer muito bem. Além de ser talvez o único cerumano do mundo que gosta de, num tempo de folga, fazer uma boa faxina como Deus manda.

Parêntese para explicar que a minha área de especialidade não é a faxina. Nem a dele, portanto. Pelo menos era o que eu supunha até aquele momento da vida.

Antes de mais nada, para fazer faxina tem que ser forte. Faxina é coisa de macho. Claro, porque o primeiro a fazer é tirar dos cantos todos os móveis que ficam encostados nos cantos. Bota tudo para o meio.

Há que começar pelos cantos. Sempre. Dos cantos para o centro. Senão você não tira direito os ácaros e outros monstros do tipo.

Tem uma coisa específica de colocar na água para combater ácaro. Não lembro direito se era vinagre. Não anotei e sou um pouco como a @viridiana20: “se eu não anotar, tenha certeza que eu vou esquecer”. Com a diferença de que pode acontecer de eu anotar algo, por exemplo, na agenda, e esquecer de olhar a agenda, ou não lembrar onde anotei.

Preparado o rodo com o pano, você vai passando o pano pelo chão sempre para a frente. Não tem essa de ficar indo e voltando com o pano no chão. Tsc tsc: não mesmo. Nada de passar para frente e para trás no mesmo ponto, senão você leva de volta a sujeira que tirou. Então é preparar, apontar, e ir beirando o canto do cômodo. Sem retrocesso. Passar mais vezes no mesmo lugar tudo bem, normalmente é preciso, mas não esfregando para frente e para trás. Jamais. Uma vez percorrido um trajeto suficiente para sujar o pano, você pára, limpa direito o pano na água do balde e retoma do ponto onde parou.

Conclusão: quase todos os anos da minha vida adolescente e adulta fazendo faxina e eu nunca soube fazer faxina de acordo com os métodos mais recomendados pelos especialistas. Ainda bem que sou forte. Arrastar móveis nunca foi uma das minhas dificuldades. Mesmo sem ser macho. Mesmo que fosse um guarda-roupa com roupas dentro. Fato.

Outra lição: arrumar a casa e fazer faxina… tem quem goste. Verdade. (Quase me lembro com nostalgia de que um dia até já gostei também.)

Lições de especialista: tudo tem seu justo método. Não basta a aptidão física, como a minha força para arrastar móveis, se você sequer sabe que é preciso começar pelos cantos, depois de arrastar os móveis; se você não anota se é ou não é vinagre o que tem que pôr na água e depois esquece.

A segunda lição interessante foi que meu licor amado, preferidíssimo entre os preferidos, Chartreuse, tem mistérios que pouca gente imaginaria. Inclusive com direito a seita. É isso: rodo, rodo, e sem querer caio na porra da mística em algum canto, até mesmo no fumódromo, em bate-papo sobre bebida alcoólica. Justo eu, que tenho um dos meus principais eus ateu e mais cético que São Tomé (não o das Letras, aquele São Tomé que tinha que ver para crer). ¡Suéltame misterio!

Mas essa segunda lição, a da Chartreuse, fica para um próximo post.

Sobre Ani

Outros que contem passo por passo | Eu morro ontem | Nasço amanhã | Ando onde há espaço: | – Meu tempo é quando. ~Vinicius de Moraes~
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