de que serve um livro sem figuras?


Alice começava a enfadar-se de estar sentada no barranco junto à irmã e não ter nada para fazer: uma ou duas vezes espiara furtivamente o livro que ela estava lendo, mas não tinha figuras nem diálogos, “e de que serve um livro” – pensou Alice – “sem figuras nem diálogos?”

CARROLL, Lewis. Aventuras de Alice.
Trad. e org. de Sebastião Uchoa Leite.
São Paulo: Sumus, 1980, p. 41

Alice está contente lá pelos motivos dela. Da minha parte, estava aqui pensando que se eu ganhasse um prêmio chamado Hans Christian Andersen, morria de alegria.


cavalhadas de pirenópolis

A linguagem visual é muito próxima do pensamento.



Correio Brasiliense, 26/03/2014

O MUNDO ESTÁ VENDO O TRABALHO DOS ILUSTRADORES,
DIZ VENCEDOR DO PRÊMIO

Vanessa Aquino
Nahima Maciel

Prêmio Hans Christian Andersen consolida o brasiliense Roger Mello entre os ilustradores mais importantes do mundo

Foi com grande festa que o público presente na Feira Internacional do Livro de Bolonha, na Itália — composto por ilustradores, escritores e editores de livros infantis e juvenis — recebeu o nome de Roger Mello como o vencedor do prêmio Hans Christian Andersen. O ilustrador brasiliense chamou a atenção durante a premiação por representar ineditismo em vários aspectos, o principal é o de ser o primeiro ilustrador da América Latina a levar o prêmio, considerado o Nobel do gênero.

“A festa ainda está começando. A importância do prêmio é que se trata do maior dedicado ao conjunto de obras de literatura infantil. É a primeira vez que um brasileiro ganha em ilustração”, lembra a presidente da Academia Brasileira de Letras (ABL), Ana Maria Machado.

Entusiasmada, a imortal lembra que a linguagem visual é um aspecto da arte que identifica várias culturas e que o Brasil conseguiu um reconhecimento fundamental para que a cultura do país atinja um patamar de excelência, no que diz respeito à arte. “A linguagem visual é muito próxima do pensamento. Nem todo mundo percebe a estética de cada lugar por meio da ilustração, e isso é muito importante. O júri tende a ser muito eurocêntrico. O Roger já tinha ficado duas vezes como finalista. E esse prêmio é importante para a aceitação de que existe uma estética visual no Brasil.”

Depoimentos sobre Roger Mello

Íris Borges, autora de livros infantis

“Ontem à noite não consegui dormir. Conheci o Roger quando ainda viva em Brasília. Minha aproximação maior foi quando ele lançou o livro sobre as Cavalhadas. Ele tem duas coisas. Uma é que é um grande artista, que mereceu esse prêmio. Outra é que é uma pessoa muito especial, simples, do bem. Ele é uma unanimidade, não tem ninguém igual que não reconheça o altíssimo nível do trabalho dele. O prêmio devia ser para ele mesmo. O mais importante são as pesquisas iconográficas e de variedades técnicas. E um livro não é igual ao outro. El eusa o preto e branco no Carvoeirinhos, por exempo, ou as ilustrações recortadas no Desertos, com Roseana Muray. Ele dá uma identidade a cada livro. Ele ousa, vai além. Ele pensa no livro como um todo. E está sempre procurando aprender um novo recurso. Ele parece um menino curioso. Só as pessoas geniasi é que conseguem se ultrapassar e ele é uma. Por isso o prêmio foi para ele.”

Romont Willy, Ilustrador

“A gente tem aquela mania de achar que os europeus são mais valorizados. O que vem de fora é bom. O que é feito aqui não é tão bom, mas ele provou o contrário. As cores brasileiras são mais vivas. O que define o trabalho do Roger são as cores vivas e o traço dele que se compara muito a desenho de criança, mas com qualidade superior. O traço dele é muito forte.”

Alessandra Roscoe, autora

“Foi como se eu tivesse sido premiada. Ele tem uma trajetória de ilustrações inovadoras que não são estereotipadas. O trabalho dele inova. E é a primeira vez que um ilustrador latino-americano recebe um prêmio como ilustrador. As ilustrações dele não são convencionais, elas fogem do estereotipado que muita gente usa. Sejam bebês ou crianças eles são seres muito inteligentes e gostam de ser incitados. E o Roger preopõe cores diferentes, texturas diferentes. O grande diferencial do trabalho dele é de ser uma ilustração que desafia, que incita e capta a curiosidade da criança. Ele é de uma geração de ilustradores contemporâneos que está revolucionando a ilustração brasileira.”

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Sobre Ani

Outros que contem passo por passo | Eu morro ontem | Nasço amanhã | Ando onde há espaço: | – Meu tempo é quando. ~Vinicius de Moraes~
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