Moniz Bandeira: Ucrânia e Venezuela e o Brasil





Texto de apresentação do vídeo no canal de
Francisco das Chagas Leite Filho no Youtube, 28/02/2014

O politólogo residente na Alemanha Luiz Alberto Moniz Bandeira, autor do livro A Segunda Guerra Fria, analisou nesta entrevista pelo Skype, com o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães e os jornalistas Beto Almeida e Francisco das Chagas Leite Filho, da TV Cidade Livre de Brasília e do blog cafenapolitica.com.br, os acontecimentos recentes na Ucrânia, que afastaram o presidente Viktor Ianukovitch, e na Venezuela, que mais uma vez fracassaram na tentativa de derrocar o regime bolivariano, implantado pelo falecido presidente Hugo Chávez. Moniz explica didaticamente que esses movimentos são produto do método do professor norte-americano Gene Sharp, autor do manual From Democracy to Dictartoship, que açulam as massas contra os governos progressistas, através de ações de rua e de opinião, tendo a mídia como principal arauto, como pretexto a defesa de direitos fundamentais e como objetivo manter a hegemonia dos Estados Unidos sobre o mundo.

Essas ações, segundo o cientista polîtico brasileiro, se traduziram na invasão pura e simples das tropas da OTAN, aliança militar dos Estados Unidos com a União Europeia, como no Iraque, Afeganistão e na Líbia, e quando não podem, provocam a deposição de presidentes, como agora ocorreu na Ucrânia, cujo presidente não renunciou e tenta resistir na península da Crimeia, de população de origem majoritariamente russa. A título de exemplo, ele disse que se Nicolás Maduro, da Venezuela, tivesse caído, as pressões logo viriam sobre a Argentina e, em seguida, o Brasil.

– O Brasil precisa ter cuidado – enfatizou Moniz Bandeira – porque essas manifestações dos chamados black blocs podem estar sendo instrumentalizadas por determinados interesses internacionais de ONGs e agências americanas como a NED (National Endowement for Democracy), USAID, e outras agências estatais e fundações privadas.

Já o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, ex-secretário-geral do Itamaraty e alto comissariado do Mercosul, alertou para o acordo de livre comércio desta última entidade com a União Europeia, o qual, no seu entendimento, significará o fim do mercado comum que une Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Venezuela, pois implicará no fim da união aduaneira de que desfrutam nossas empresas contra as megaempresas europeias. Estas, no seu entender, poderão até fechar suas filiais por aqui. Depois deste acordo com a Europa, acredita Samuel, virão inevitavelmente outros TLCs com os Estados Unidos e com a China, inibindo todo o esforço brasileiro de promoção social e de inserção no mercado internacional.

Na sua análise, Moniz Bandeira ainda explica que os Estados Unidos tentam seu domínio sobre o Brasil desde 1889, lembrando frase atribuída ao Visconde de Ouro Preto, último chefe do governo do império, quando disse que os americanos estavam por trás da proclamação da República.

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