Da cretinice



cretinice

A infinita estupidez humana e sua arte suprema de manter a si mesmo e aos próximos eternamente infelizes.
~José Antonio Gaiarsa~



A CRETINICE DE QUEM VAZA – E COMPARTILHA – VÍDEO ÍNTIMO

Nádia Lapa, na Carta Capital, 14/10/2013

Fran, de Goiânia, teve um vídeo íntimo divulgado pelo ex-parceiro. As redes sociais compartilharam. Isso serve ao controle da sexualidade da mulher.


A história é conhecida: casal grava momentos íntimos, eles brigam, e o cara posta as imagens online. Acontece toda hora, e a vítima da vez é a Fran, uma jovem de 19 anos moradora de Goiânia. O ex-parceiro era um cretino de 22 anos com quem ela mantinha um relacionamento. O vídeo viralizou por meio do whatsapp, serviço de mensagens instantâneas.

Muita gente, muita mesmo, fez piada, repetindo um gesto de Fran nas redes sociais. Descobriram a identidade da moça, espalharam o endereço dela, o local de trabalho. Fran, aterrorizada, mudou o visual, se afastou do trabalho, deixou de sair. Mas a coragem de Fran é espetacular: mesmo com a vida sendo devastada por alguém em quem ela confiava, ela se empoderou e procurou a delegacia para registrar ocorrência.

Agora, o inquérito policial está correndo; o pai do autor do “vazamento” diz que o filho está cabisbaixo, triste, sem sair de casa. Mas em que momento a vida dele foi exposta? Porque o roteiro é sempre o mesmo: quem é julgada, xingada, maltratada, é a mulher que aparece nos vídeos ou fotos. O homem? É o comedor, o espertão que, além de conquistar uma gatinha, ainda está mostrando seu troféu para o resto do mundo.

Fran fez sexo. Coisa que a maioria de nós já fez, já quis fazer, ou continua querendo e fazendo. Qual o grande pecado dela? Sim, fazer sexo, ter desejo e expressá-lo. Simone de Beauvoir fala sobre como a sociedade encara a sexualidade feminina: “a civilização patriarcal condena a mulher à castidade; reconhece-se mais ou menos abertamente ao homem o direito a satisfazer seus desejos sexuais, ao passo que a mulher é confinada ao casamento: para ela, o ato carnal, em não sendo santificado pelo código, pelo sacramento, é falta, queda, derrota, fraqueza. Ela tem o dever de defender sua virtude, sua honra; se “cede”, se “cai”, suscita o desprezo; ao passo que até na censura que se inflige ao seu vencedor há admiração”.

Eu não consigo decidir o que é pior nessa história toda. Se a traição do ex-parceiro em compartilhar as imagens, ou se as pessoas inflamadíssimas nas redes sociais fazendo julgamento público da vítima. Repassando o vídeo, fazendo piadas, tirando fotos semelhantes às imagens, apenas com o fim de humilhar ainda mais a jovem. Por que as pessoas fazem isso? Por que elas se regozijam com o sofrimento alheio? Por que existe essa vigilância constante da sexualidade da mulher?

Para ler o final do texto, clique AQUI.

Sobre Ani

Outros que contem passo por passo | Eu morro ontem | Nasço amanhã | Ando onde há espaço: | – Meu tempo é quando. ~Vinicius de Moraes~
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