Contra a democracia



Democracia: é uma crendice muito difundida, um abuso da estatística.
~Jorge Luis Borges~

Se começássemos a dizer claramente que a democracia é uma piada, um engano, uma fachada, uma falácia e uma mentira, talvez pudéssemos nos entender melhor.
~José Saramago~

A democracia é apenas a substituição de alguns corruptos por muitos incompetentes.
~Bernard Shaw~

A democracia é a pior forma de governo,
exceto todas as outras que têm sido tentadas de tempos em tempos.

~Winston Churchill~

Fonte: A bacia das almas

A ideia de que pessoas destreinadas possam com algum grau de acerto compreender a menor coisa que seja sobre a prática da administração civil da máquina de uma civilização economicamente complexa, que envolve os mais intricados problemas de engenharia, é tão grotesca e absurda que apenas o costume cego baseado na tradicional e inefável estupidez do grupo pode levar, concebivelmente, um adulto sóbrio a abraçá-la seriamente neste nosso desiludido ano de 1932.

A democracia – como distinta de oportunidade e de um bom tratamento universais – é hoje uma falácia e uma impossibilidade tão grandes que qualquer tentativa séria de aplicá-la não deve ser considerada como outra coisa que não gracejo e pilhéria.

Em tempos mais primitivos o cidadão médio era mais ou menos capaz de compreender a natureza dos problemas governamentais ao redor de si – compreender, isto é, quais medidas imediatas trariam a longo prazo a realização dos seus desejos, e quais passos práticos seriam, através de uma cadeia relativamente simples de causa e efeito, capazes de garantir a adoção bem-sucedida e a manutenção dessas medidas.

No complexo mundo contemporâneo nenhuma compreensão semelhante é possível. Debaixo do altamente tecnicizado governo que qualquer grande nação industrial deve ter, o cidadão moderadamente informado e inteligente não possui mais do que uma debilíssima ideia do que representam os mais simples princípios políticos, ao mesmo tempo em que não tem a mais remota chance de apreender o que for dos mais avançados e intrincados problemas de política e administração.

Isso se aplica, além disso, não apenas ao homem simples e não-instruído, mas a todos os leigos e profissionais liberais, quer sejam lavradores ou professores de sânscrito, varredores de rua ou escultores. Que uma pessoa assim mal-informada lance votos que determinem medidas nacionais, ou mesmo imaginar-se que possa conceber o que representa a maior parte dessas medidas, é objeto de incontrolável riso cósmico. Que tais pessoas possam ser elegíveis a cargo administrativo é noção que levaria Tsathoggua e Yog-Shothoth a partirem-se em incontrolável hilaridade.

O governo “pelo voto popular” quer dizer apenas a nomeação de homens dubiamente qualificados por dubiamente autorizadas e raramente competentes agremiações de políticos profissionais que representam interesses ocultos, seguida por uma insolente farsa de persuasão emocional na qual os oradores com as línguas mais falastronas e as frases de efeito mais baratas arrebanham para o seu lado uma maioria numérica de tolos e simplórios cegamente impressionáveis que não tem em sua maioria a mínima ideia do que representa o circo todo.

H. P. Lovecraft, em carta de 7 de novembro de 1932 a Robert E. Howard

Sobre Ani

Outros que contem passo por passo | Eu morro ontem | Nasço amanhã | Ando onde há espaço: | – Meu tempo é quando. ~Vinicius de Moraes~
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