Sobre o riso


Por que decidir sobre o que rir? “O humor ajuda a perpetuar ou a denunciar.”

Parada-Gay Angeli

Se é pra sacanear alguém, sacaneie opressores poderosos, não oprimidos subalternos.



Alex Castro: “Não existe piada inofensiva: se alguém gargalhou é porque alguém se fudeu. A questão é: quem se fode nessa piada? Se é a vítima, o subalterno, a minoria, a mulher, o gay, o negro, etc, então essa piada é parte do problema. Ela confirma, apóia, sustenta a ideologia dominante. Ela está a serviço do machismo, do racismo, da homofobia. Quando um gay é agredido com uma lâmpada na Av. Paulista, os roteiristas do Zorra Total não podem levantar as mãos e se declarar inocentes. E nem quem assiste e ri.”

“É muito mais difícil fazer humor sem usar estereótipos que confirmam e fortalecem as culturas assassinas do nosso país: a homofobia, o machismo, o racismo. Será que vocês conseguem? Será que conseguem, ao mesmo tempo, ser engraçados e não ser cúmplices dos assassinatos de mulheres, negros, homossexuais? Sei que não é fácil. Se fosse fácil, eu não estaria pedindo. Se fosse fácil, eu não estaria propondo o desafio. Mas é tão necessário. É tristemente necessário. Porque os humoristas alemães que faziam piadas de judeu em 1935 não são inocentes de Auschwitz não. Fazer rir é relativamente fácil. Difícil é fazer rir sem ser babaca.”

“ ‘Patrulha’ são soldados armados que podem te matar se você os desobedecer. Torcer o nariz para as piadas racistas, homofóbicas ou machistas de um comediante não é ‘patrulha’. É o público exercendo pacificamente sua liberdade de expressão de considerar babaca um comediante que faça piadas racistas, homofóbicas ou machistas. Esses pobres humoristas ‘perseguidos’ que reclamam da ‘patrulha politicamente correta’ não estão defendendo a liberdade de expressão: liberdade de expressão de verdade é o cara poder fazer piada sobre mulher estuprada e nós podermos criticá-lo por isso. Na verdade, a liberdade que querem esses paladinos do ‘politicamente incorreto’ é a liberdade de falar os maiores absurdos sem nunca serem criticados. Aí é fácil, né? Assim eu também quero.”

“Não esqueçam nunca qual é a função social mais importante da liberdade de expressão: Sem ela, como saberíamos quem são os idiotas?”

“Nunca vi ninguém não-babaca se dizendo ‘politicamente incorreto’. “

Trechos de “Carta aberta aos humoristas do Brasil” por Alex Castro (recomendadíssima a leitura completa).



Documentário “O riso dos outros” (dica no post do Alex Castro)



Trecho de entrevista com Les Luthiers:

Daniel Rabinovich: “Hay temas con los que Les Luthiers realmente no hacen humor. Temas con los que no se puede hacer humor. Con el sufrimiento humano, con el mal absoluto, con el genocidio… con estas cosas espantosas… No nos dan ganas, por otro lado.” [aos 2 min]



Sobre Ani

Outros que contem passo por passo | Eu morro ontem | Nasço amanhã | Ando onde há espaço: | – Meu tempo é quando. ~Vinicius de Moraes~
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