Obaluaiê


Obaluaiê anda me visitando (muitas vezes com Iansã). E o grupo de Umbanda Triângulo da Fraternidade diz que 2013 é ano dele. Então, fiz este post para Obaluaiê e sua ligação com Iansã.

OmoluObaluaiê ou Omulu/Omolu são nomes de diferentes faces do mesmo Orixá. Li que, para a maior parte dos devotos do Candomblé e da Umbanda, são dois nomes intercambiáveis, enquanto que alguns defendem que se deveria diferenciá-los: Obaluaiê como a forma jovem do Orixá Xapanã, Omulu como sua forma velha. Xapanã é nome proibido: se for mencionado pode atrair doença, dizem. E essas suas duas formas e dois nomes básicos são comparados a uma distinção que se faz entre diferentes formas básicas de Oxalá: Oxalá (o crucificado); Oxaguiã, sua forma jovem; Oxalufã, sua forma mais velha.

Omolu-Obaluaiê é um dos Orixás mais temidos. Comanda as doenças e a saúde, e tem profunda relação com a morte, assim como sua mãe, Nanã. Nanã decanta os espíritos que irão reencarnar. Obaluaiê domina um cordão que une o espírito ao corpo (e dizem que é prateado), comanda o encarnar e o desencarnar. Iansã fez amizade com ele, e recebeu o poder de conduzir o espírito dos mortos.

Quando associado à vida e à cura, o nome desse Orixá é Obaluaiê. Ele comanda legiões de médicos e enfermeiros espirituais, que preparam as almas para uma nova encarnação e curam nossas doenças. Com o nome de Omolu, é Guardião das Almas desencarnadas que ainda não se libertaram da matéria. Na hora do desencarne, os falangeiros de Omulu ajudam a desatar o cordão de prata que liga o espírito ao corpo, são responsáveis pelos hospitais, cemitérios, necrotérios e lugares relacionados à morte física, protegem de vampiros astrais que poderiam sugar energias dos que estão por falecer e dos falecidos. Ele é, assim, ambiguamente, Orixá de doenças e morte, Orixá da saúde, cura e renascimento.

Omulu-Obaluaiê é sempre representado com o rosto e o corpo coberto de palhas. De fora, ficam só os braços e parte das pernas. Algumas lendas dizem que ele se cobre de palhas para esconder as marcas e deformações no corpo. Outras contam que, mesmo depois de curado de suas chagas, não pode se deixar ver diretamente, porque é o próprio brilho do sol. Seu símbolo é o xaxará, feixe de ramos de palmeira enfeitado com búzios. O xaxará funciona como uma vassoura, com a qual Obaluaiê varre as pestes e as doenças.

Obaluaiê, o Rei da Terra, é filho de Nanã com Oxalá. Nasceu malformado, manco, cheio de feridas, coberto de varíola, porque Nanã seduziu Oxalá mesmo sabendo que ele era interditado, por ser marido de Iemanjá. E Nanã abandonou o filho na beira da praia, de medo das doenças todas no corpo do menino. No tempo em que ficou lá, um caranguejo feriu ainda mais a sua pele. Por fim Iemanjá o encontrou e criou, curando suas feridas com águas de mar e folhas de bananeira. De Iemanjá e Oxalá, ele aprendeu como curar doenças. Mas cresceu sempre se escondendo sob palhas, sério e mal-humorado.

Outra lenda diz que Nanã rejeitou o filho só porque sim e pronto. Criado por Iemanjá, ele chegou a ser um lindo moço. Mas pelos excessos e orgias da mocidade, contraiu várias doenças e ficou com o corpo chagado.

Seja como for, aconteceu que chegou o dia de uma grande festa em que dançavam todos os principais Orixás. Só ele estava de fora, olhando pelas frestas da casa, seja por ter sido rejeitado pelos outros e não ter sido convidado, como contam alguns, seja por sentir vergonha de entrar na festa com sua aparência medonha, como contam outros. Tem quem diga até que foi nesse momento que ele se cobriu inteiro, porque Ogum percebeu sua angústia, entrou correndo na floresta e trouxe as palhas para que ele escondesse o corpo com elas e pudesse participar da festa. Mas daquele jeito, todo coberto, ninguém queria se aproximar e dançar com ele. Oiá-Iansã notou e se enterneceu. Quando ele chegou bem no meio do barracão, Iansã soprou um vento, descobriu as palhas e, num encantamento, as feridas todas pularam para o alto, transformadas numa chuva de pipocas. Obaluaiê estava curado, e era agora muito bonito, talvez o mais belo dos Orixás. Ele ficou tão grato a Iansã, que compartilhou com ela os seus poderes sobre a morte, tornando-a a senhora dos espíritos dos mortos, os eguns. Junto com Obaluaiê, Oiá é o único Orixá que realmente tem poder sobre os mortos, e não os teme. Oiá Igbalé então dançou e dançou de alegria, com Obaluaiê, pela noite adentro, agitando no ar seu eruexim, com que afasta os eguns, espíritos desencarnados de pouca luz, para o outro mundo. Os outros Orixás se enciumaram da beleza de Obaluaiê e, desde então, mesmo tendo se tornado um grande amigo de Iansã, ele decidiu dançar só. Os dois se uniram contra o poder da morte, das doenças e dos espíritos dos mortos, e evitam que desgraças aconteçam entre os homens. Partilham o poder único de abrir e interromper as demandas dos mortos sobre os homens. Alguns dizem que Iansã foi sempre a paixão de Obaluaiê, embora ele não tenha se entregado aos seus encantos: preferiu ter Iansã como amiga eterna a uma paixão passageira. E para agradar Obaluaiê, como se pode imaginar, são feitas oferendas de pipoca.

Atotô, Obaluaê!



Significado do nome Obaluaiê: Rei dono da terra
Domínio: Senhor das doenças e da curas. Orixá da saúde, da vida e da morte. Rege as passagens entre a vida terrena e a vida astral.
Saudação: Atôtô! (Significa silêncio, respeito)
Ponto na natureza: O cemitério (a calunga pequena) e o mar (a calunga grande)
Sentido/Essência: Evolução/Transmutação
Dia da semana: Segunda-feira (Candomblé), sábado (Umbanda)
Elemento: Terra (alguns apontam também o fogo)
Cor: Bicolor branco/preto, violeta, prateado [Pelo que percebi, a Umbanda inclui o roxo ou violeta entre as cores, e o Candomblé inclui o vermelho. Ambos coincidem na combinação de branco e preto]
Fio de contas: Contas brancas e pretas; ou de contas brancas com listras pretas; ou de contas brancas e vermelhas entremeadas de búzios
Ferramentas: O xaxará (espécie de vassoura de fios de palha da costa e enfeitada com búzios); o manto e o capuz de palha da costa
Símbolos: A cruz
Flores: Crisântemos (de cor branca e ou lilás), violetas, flores do campo e margaridas
Essências: Alecrim, guiné [Em otro site encontrei: Cravo e menta]
Pedras: Turmalina negra
Metal: Chumbo
Partes do corpo: Todas (por ser o Orixá da saúde)
Planeta: Saturno e Júpiter [Em um site encontrei Plutão]
Bebidas: Água potável ou mineral, vinho rosê licoroso [em outro site encontrei vinho tinto], água de coco, suco de laranja lima (também conhecida como serra d’água, é uma laranja bem docinha), café, café com aguardente, café com canela
Animais: Cachorro [Um site indicava também caranguejo, por outro lado, um diz que Obaulaiê é avesso a caranguejos: ver “incompatibilidades” abaixo]
Comidas: Pipoca (doburu ou deburu), feijão preto, feijoada, mandioca, milho cozido em folha de banana, fruta do conde, abacaxi, uva preta, coco seco, ameixa escura, amendoim, café, carambola, laranja lima (ou serra d’água) [Muitas variações entre sites aqui. Lembro de ter visto camarão seco e bobó de camarão em algum lugar.]
Número: 04 [Outro site indicava 12 e 13]
Data comemorativa: 16 de agosto (sincretismo com São Roque), 17 de dezembro (sincretismo com São Lázaro). [Algum site incluía o Dia dos Mortos, 2 de novembro]
Incompatibilidades: No Culto de Nação e no Candomblé os fiéis respeitam algumas “quizilas” ou incompatibilidades em relação a Obaluayê: carne de carneiro; peixe de água doce e de pele lisa; caranguejo; banana-prata; jacas; melões; abóboras e frutos de plantas trepadeiras; o agbalín (antílope); a galinha de angola (sonu); e um peixe chamado sosogulo, cujas espinhas são atravessadas.

2013: Ano de Obaluaiê

Outras lendas que falam do vínculo entre Obaluaiê e Iansã

Lenda de Obaluaiê

Iansã era uma mulher muito curiosa, de todos queria noticias e tudo queria saber. Apenas um segredo havia que ela já fizera de tudo para descobrir e não conseguira. Era o fato de Obaluaiê andar coberto de palha, apenas se viam seus braços e pernas e nunca ninguém vira seu rosto.
Iansã perguntava a todos o porquê disso e sempre lhe diziam que como tinha o corpo e o rosto coberto de chagas, ele não gostaria de mostrar ao mundo a sina que o acompanhava. Essas explicações vindas de todos os lados a deixavam mais curiosa ainda. Passou a perseguir Obaluaiê obsessivamente, aonde ele ia, disfarçadamente ia atrás. Um dia quando estava quase desistindo, sentia-se cansada, porque o rapaz andava muito, sentou-se aos pés de uma grande árvore e adormeceu.
Acordou com o ruído do farfalhar de palhas que sempre acompanhava seu perseguido, que estava molhando os pés num pequeno riacho muito perto dela e não a tinha percebido. Era a hora! Finalmente descobriria o que há meses a torturava. Ergueu as mãos para o céu e chamou pelos ventos que sempre a auxiliavam. Eles vieram e, numa lufada forte, envolveram Obaluaiê. Despreparado, ele não pode impedir que a palha se levantasse deixando seu corpo exposto. Qual a surpresa de Iansã ao ver que debaixo da vestimenta não havia uma só chaga, mas sim uma beleza radiosa, todo o corpo do rapaz brilhava numa cor de cobre que o sol acentuava. O que ele escondia não era a vergonha de um corpo disforme, mas sim uma beleza infinda que a todos faria inveja. Desse dia em diante Iansã não perseguiu mais Obaluaiê, mas sempre que o encontrava suspirava pela beleza que nunca mais esqueceu.

Iansã percorre vários reinos para aprender

Yansã foi a paixão de Ogum, de Oxaguian e de Exu. Conviveu e seduziu Oxóssi e Logun-Edé. Tentou, em vão, relacionar-se com Obaluayê.
Em Ifé, terra de Ogum, foi a grande paixão do guerreiro. Aprendeu com ele e ganhou o direito do manuseio e uso da espada.
No auge da paixão por Ogum, Yansã partiu para Oxogbô, terra de Oxaguian, onde aprendeu e recebeu o direito de usar o escudo para se proteger. Quando Oxaguian estava tomado de paixão por Oyá, ela partiu.
Pelas estradas, ela se deparou com Exu, com ele se relacionou e aprendeu os mistérios do fogo e da magia.
No reino de Oxóssi, Oyá seduziu o deus da caça, aprendendo a caçar, a tirar a pele do búfalo e a se transformar naquele animal, com a ajuda da magia aprendida com Exu.
Seduziu o jovem Logun-Edé, filho de Oxóssi e Oxum, e com ele aprendeu a pescar.
Depois, Oyá partiu para o reino de Obaluayê, pois queria descobrir seus mistérios e até mesmo conhecer seu rosto. Lá chegando, tratou de insinuar-se, dizendo:
– Como vai, Senhor das chagas?
Obaluayê respondeu: – O que Oyá quer em meu reino?
Yansã lhe disse: – Ser sua amiga, conhecer e aprender, somente isso. E para provar minha amizade, dançarei para você a dança dos ventos! (Dança que usara para seduzir reis como Oxóssi, Oxaguian e Ogum).
Durante horas Yansã dançou, sem conseguir atrair a atenção de Obaluayê, pois ele jamais se relacionou com alguém. Yansã então procurou apenas aprender, fosse o que fosse. E assim dirigiu-se ao homem palha:
– Obaluayê, com Ogum aprendi a usar a espada; com Oxaguian, a usar o escudo; com Oxóssi, aprendi a caçar; com Logun-Edé, a pescar; com Exu, aprendi os mistérios do fogo e da magia. Falta-me apenas aprender algo contigo.
Obaluayê retrucou: – Você quer mesmo aprender, Oyá? Então lhe ensinarei como tratar os mortos!
De início, Yansã relutou. Mas seu desejo de aprender foi mais forte, e com Obaluayê ela aprendeu a conviver com os eguns (espíritos de baixa luz) e a controlá-los.
Depois, Oyá partiu para o reino de Xangô, pois acreditava que lá teria o mais vaidoso dos reis e aprenderia a viver ricamente.
Mas, ao chegar ao reino do deus do trovão, Yansã aprendeu muito mais que isso… Aprendeu a amar verdadeiramente e com paixão, pois Xangô dividiu com ela os poderes do raio e lhe seu coração…

O post foi montado principalmente com textos dos seguintes sites e blogs:

Sete porteirasCandombléMagia dos Orixás  – Juntos no Candomblé

Orixás, Umbanda e CandombléA Umbanda como ela éPovo de Aruanda

Caboclo PeryMãe Marta de ObáEduardo de Oxóssi

Sobre Ani

Outros que contem passo por passo | Eu morro ontem | Nasço amanhã | Ando onde há espaço: | – Meu tempo é quando. ~Vinicius de Moraes~
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