Eu

a insignificância de ser Raphael Lucena

Um discípulo do Maguid passou alguns anos estudando com ele e tencionava voltar para casa. No caminho, lembrou-se de ir a Karlin visitar o Rabi Aarão, que fora seu companheiro na casa de estudos do Maguid. Era quase meia-noite quando entrou na cidade, mas seu desejo de ver o amigo era tão grande, que se dirigiu logo para casa do Rabi Aarão e bateu à janela iluminada. – Quem é? – Ouviu aquela voz tão conhecida indagar e, certo de que também a sua seria reconhecida, respondeu apenas: – Eu! – Mas a janela continuou fechada e de dentro não veio mais ruído algum, embora ele continuasse a bater. Ao fim exclamou, consternado: – Aarão, por que não me abres? – Então a voz do amigo lhe respondeu, mas tão grande e séria soou, que lhe pareceu quase estranha: – Quem é que ousa denominar-se eu, o que só a Deus cabe? – Ao ouvir isso, o discípulo disse, em seu coração: – Meu tempo de aprendizado ainda não se esgotou – e, sem demora, retornou a Mesritsch.

BUBER, Martin. Histórias do Rabi.  As histórias hassídicas de Martin Buber.
São Paulo: Perspectiva, 1967.
Para ir à fonte da foto, clique sobre ela.

Sobre Ani

Outros que contem passo por passo | Eu morro ontem | Nasço amanhã | Ando onde há espaço: | – Meu tempo é quando. ~Vinicius de Moraes~
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