Do orgulho

AS ABELHAS

Disse o Rabi Rafael de Berschad:

– Está escrito que os orgulhosos renascem sob a forma de abelhas. Porque o orgulhoso diz em seu coração: “Sou um escritor, sou um cantor, sou um professor”. E como para todos eles vale o que se diz a seu respeito, isto é, que mesmo às portas do inferno não voltam atrás, todos renascem, após a morte, sob a forma de abelhas. Estas zoam e zunem: “Eu sou, eu sou, eu sou!”

A LUTA SEM FIM

O Rabi Rafael, que era humilde todos os seus dias e que fugia de todas as honrarias, pedia sempre a seu mestre que lhe dissesse como se livrar inteiramente do orgulho, mas nunca recebia resposta. Certa vez, estava novamente insistindo junto ao mestre:

– Ah, Rabi, o orgulho!
– O que queres? – disse o Rabi Pinkhas de Koretz. – É esta a tarefa na qual o homem deve esforçar-se todos os seus dias, e ele nunca há de chegar ao fim. Porque o orgulho é a roupagem de Deus, conforme está escrito: “O Senhor é Rei, de orgulho vestiu-se.” Mas Deus é o Ilimitado, e quem tem orgulho fere a roupagem do Ilimitado. Assim também a tarefa de autoconquista não tem limite.

Extraído de BUBER, Martin. Histórias do Rabi. São Paulo: Perspectiva, 1967, p. 171.
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Sobre Ani

Outros que contem passo por passo | Eu morro ontem | Nasço amanhã | Ando onde há espaço: | – Meu tempo é quando. ~Vinicius de Moraes~
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