Julian Assange entrevista Rafael Correa



Governos poderosos dados a arbitrariedades e abusos divulgam fábulas sem nenhum pudor, mesmo quando são transparentemente inverossíveis para multidões de olhos do mundo todo. É muito improvável que a caçada a Assange pela Suécia e Inglaterra se deva de fato a casos de violência sexual. Nas notícias que mencionam que sua extradição à Suécia está sendo pedida à Inglaterra devido a acusações desse teor, é curioso quão pouco se explica que isso se refere a sexo (consentido) sem preservativo (se a parceira não sabe disso), o que na Suécia é visto como crime de estupro (o que, pessoalmente, vejo com bons olhos). Se é possível provar que as coisas aconteceram como relata este artigo, é admirável que a Suécia considere que se trata de crime de violência sexual e leve a sério essa lei. Mas a questão principal parece ser que convence pouco ou quase nada que esse seja o motivo que levou a Inglaterra a mobilizar tantas viaturas policiais, ameaçando invadir a embaixada do Equador em Londres (um crime internacional invadir uma embaixada), para prender Assange lá dentro, a mesma Inglaterra que se negou a extraditar o ditador Pinochet para ser julgado no Chile, por crimes terríveis contra uma multidão de pessoas, bem mais comprováveis e comprovados. É imensamente mais verossímil a versão de Assange: que a extradição à Suécia seria um passo intermediário para entregá-lo aos Estados Unidos, que quer sua cabeça pelas informações que ele levou a público sobre a política externa suja que vem sendo feita, e não é de hoje, pelo governo daquele país. Que uma vez nos Estados Unidos, encontrariam uma forma de aplicar-lhe um processo arbitrário, que poderia levá-lo inclusive à pena de morte. O que disse hoje o presidente do Equador sobre a decisão de seu país: “O fator fundamental pelo qual se deu o asilo diplomático a Julian Assange é que não foi garantida sua não extradição a um terceiro país”, expressou. “Jamais quisemos tentar interromper as investigações da justiça sueca sobre um suposto delito, jamais.” O Equador toma essa posição apesar das ameaças da Inglaterra (que agora nega que ameaçou). Há algum tempo o Equador havia conquistado a minha simpatia com a campanha Reage, Equador: o machismo é violência, divulgada neste post. Agora conquistou mais que isso. Admiração. Enorme curiosidade. (E acho que de muito mais gente pelo mundo.) Graças a toda essa história mal contada, mas talvez já muito bem entendida, encontrei essa entrevista interessante do presidente equatoriano Rafael Correa, feita por Julian Assange.

Post-scriptum: Vixi!


Sobre Ani

Outros que contem passo por passo | Eu morro ontem | Nasço amanhã | Ando onde há espaço: | – Meu tempo é quando. ~Vinicius de Moraes~
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