Vincent van Gogh


30 de março de 1853 – 29 de julho de 1890


… A eterna questão: a vida é totalmente visível para nós? Ou antes da morte só lhe conhecemos um hemisfério? Isto é tudo? Ou há ainda algo mais? Na vida de um pintor, talvez a morte não seja o mais difícil. Eu confesso não saber nada a respeito. Mas a visão das estrelas sempre me faz sonhar. Tão simplesmente quanto me fazem sonhar os pontos negros representando cidades e aldeias num mapa geográfico. Eu me pergunto: por que os pontos luminosos do firmamento nos seriam menos acessíveis que os pontos negros do mapa da França? Se tomamos o trem para ir a Tarascon ou Rouen, tomamos a morte para ir a uma estrela. O que é certamente verdadeiro nesse raciocínio é que, estando na vida, nós não podemos ir a uma estrela, assim como estando mortos não podemos tomar o trem. Enfim, não me parece impossível que a cólera, a tísica, o câncer sejam meios de locomoção celeste. Assim como os barcos a vapor, os ônibus e as estradas de ferro são os meios terrestres. Morrer tranquilamente de velhice seria como ir a pé.


A pintura, no estado em que se encontra, promete tornar-se mais sutil,
mais música e menos escultura. Enfim, promete a cor.

~Vincent van Gogh~




Quando sinto uma tremenda necessidade de - ouso usar essa palavra? - religião,
saio e pinto as estrelas.

~Vincent van Gogh~


As cores se sucedem como que sozinhas. E ao tomar uma cor como ponto de partida, me vem claramente o que deduzir e como lhe dar vida. Não posso então entender, por isso, que um pintor faz bem quando parte das cores da sua palheta, em vez de partir das cores da natureza? Interessa-me menos que a minha cor seja precisamente idêntica, “ao pé a letra”, desde que a minha tela fique tão bela quanto na vida. A cor por si só exprime alguma coisa. Não se pode prescindir disso: é preciso tirar partido. O que produz beleza, beleza verdadeira, também é verdadeiro. Isso realmente é pintura, e é mais belo que a imitação exata das próprias coisas.


Trechos da correspondência de Vincent van Gogh


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Sobre Ani

Outros que contem passo por passo | Eu morro ontem | Nasço amanhã | Ando onde há espaço: | – Meu tempo é quando. ~Vinicius de Moraes~
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