O riso sagrado

Respeito muito minhas lágrimas,
mas ainda mais minha risada.
~Caetano Veloso, em Vaca Profana~

Os Krahôs, tribo indígena do Estado do Tocantins, no norte do Brasil, consideram a alegria um elemento-base da sociedade e designam entre seus líderes um sacerdote do riso, um hotxuá, que é profundamente respeitado pela tribo.

A tarefa dos hoxtuás é trazer humor e brincadeira para o cotidiano. Brincando e animando o espírito da aldeia, os hotxuás dissipam disputas, lembram o desapego à ganância, falam o que os outros calam, ensinam o certo ao agir de forma errada e desmistificam o erro.

A tradição do hotxuá é explicada pela seguinte história. Um dia, quando legumes como a abóbora e a batata faziam uma festa na aldeia vazia, foram surpreendidos por um índio que voltou da mata antes do previsto. Os legumes então ensinaram a arte do hotxuá e os segredos das plantas.

Desde então, os Krahôs aprenderam a cultivar melhor o plantio, a exercitar a arte do hotxuá e a organizar a festa da batata – que é, responsável por reviver o mito e reunir as aldeias. (Imagine os legumes dando uma festa: não parece ideia de hotxuá?)

E agora há uma categoria no Ani Dabar para homenagear essa sacada genial dos Krahôs, que será atribuída aos posts com aqueles que mais me fazem ou fizeram rir ao longo da vida: “Meus Hotxuás“. Os que ainda não estão no blog, irão recebendo pouco a pouco seu espaço, em reverência a seu talento sagrado, como sacerdotes da alegria.

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NOTA: Os quatro parágrafos iniciais deste post reúnem citações quase literais tomadas de dois artigos sobre o documentário Hotxuá, dirigido por Letícia Sabatella. Eles podem ser consultados aqui e aqui, para mais informação. Uma entrevista com Letícia Sabatella sobre o documentário pode ser lida aqui.

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Sobre Ani

Outros que contem passo por passo | Eu morro ontem | Nasço amanhã | Ando onde há espaço: | – Meu tempo é quando. ~Vinicius de Moraes~
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2 respostas para O riso sagrado

  1. denise disse:

    Esse é o link.
    Que bacana o que vc postou.
    Agora , os legumes dando uma festa deve ser algo muito encantador de se pensar. De cara eu pensei na Couve-flor. Branquinha, toda envolvida pelas folhas apetitosas e de gomos suculentos seria um sucesso.
    :))
    denise

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