Belo Monte: e agora, José?

Globais fazendo campanha? Hmmmm….
Contra projeto importante do governo federal do PT? Hmmmmm….

Os alunos de engenharia civil da Unicamp contestando vários dos argumentos da campanha,
inclusive coisas elementares, como se a reserva do Xingu fica acima ou abaixo da futura usina? Hmmm….

Sei não.

Na minha história de vida já vi muito sobre o que a Globo é capaz de fazer quando se trata de se empenhar nada imparcialmente e, pior, jogando muito baixo, em causas contrárias a partidos que propõem políticas de esquerda. Do PT, tem ojeriza histórica.

Do currículo da presidente Dilma, sei que ela  teve uma gestão muito competente em termos de políticas de energia no Rio Grande do Sul: foi o que a levou a integrar a equipe de Lula no governo. Não reconheço seu perfil como o de alguém descompromissado com questões sociais ou que desconheça os desenhos sociais dentro do país.

Do governo do PT desde Lula, sei da preocupação com o desenvolvimento no Nordeste e Norte do país, em termos de políticas de distribuição de renda e de políticas e ações significativas para fortalecer o ensino superior nessas regiões, que têm tido impacto social importante, inclusive especificamente sobre a condição de vida das mulheres da região.

E qualquer desatenção, faça não: pode ser a gota d’água.






E, depois da primeira e breve versão do post, veio mais essa abaixo. O site que disponibiliza a sinopse desse documentário em processo não me deu informação (além dos nomes), sobre quem são os produtores. Não seria informação relevante para um projeto que está pedindo doações para finalizar o documentário, com o fim de arrecadar 114 mil reais em 30 dias? Pura ignorância minha, que não reconheço pelo nome quem são essas pessoas, nem localizo informação sobre Caio Silva e André D’Elia na internet?

Alguma coisa nesse debate sobre Belo Monte está mal contada e o problema é que realmente me parece difícil reconhecer de qual dos dois lados, ou, em quê medida, de ambos os lados. Na minha opinião, o vídeo abaixo apelativo e tendencioso, omite parte importante do debate (ver comentários sobre ele 1).





Reproduzo em (1) alguns diálogos nos comentários (no próprio site em que o vídeo está sendo divulgado), que me parecem dar alguma dimensão de que a discussão é bem menos simples do que a campanha global e outras querem dar a entender.



Depois ainda do vídeo acima, chegou mais este, de estudantes de Belém do Pará.





E mais esse, que inspira mais confiança que todos os anteriores:


(1) Marcelo Braga:

Sim realmente sempre aparecem pessoas com objetivos obscuros quando falamos em desenvolvimento. Agora Belo Monte, sim temos índios e terras as quais devemos preservar, porém isto que vocês informam não relata a realidade. Vocês não informam dentre outras coisas que a energia no Brasil chega somente até Boa Vista. Acima temos que comprar energia da Venezuela, não informam que muitas regiões são atendidas por geradores em somente uma parte do dia. Não relatam que o desenvolvimento da região depende destes investimentos. O custo para seu filme poderia construir ao menos 8 escolas na região. Acho que este sim seria uma causa que merece apoio. Não informam como seria o Brasil sem Itaipu e que sem Belo Monte o Brasil ficará a mercê dos mercenários de ocasião. Pensem bem antes de tomar partido em algo muito maior que o desejo de se promoverem. Em tempo o sistema de construção das turbinas são do tipo Bulbo que não agride a natureza como estão pregando.

Digo Castello:

Marcelo, uma pena que você ache que toda essa mobilização seja para auto-promoção. Eu por exemplo, que não sou da parte técnica desse filme e só da campanha, não vou ganhar 1 centavo e de preferência ainda estou doando meu dinheiro além do meu trabalho. Não caí aqui de pára-quedas, há anos luto pelo que acredito ser melhor para o meu país, e tenho consciência da magnitude dos problemas do Brasil. Já fui a Roraima, exatamente nessa região onde você diz, Pacaraima, fronteira com a Venezuela. Sei das dificuldades. Infelizmente fazem as pessoas acreditarem que esse tipo de investimento vai trazer desenvolvimento à região, mas isso não é verdade. Essa usina é para abastacer indústrias, é o modelo de desenvolvimento que está todo errado. Espero que Belo Monte nunca seja construída, mas caso seja, conversamos daqui 10 anos para você ver o caos que Altamira vai virar. Ao invés de me dizer o que poderia ser feito com os 114 mil do nosso filme você poderia pensar quanto desses 30 bilhões poderiam estar ajudando a sua região de várias outras formas.

Marcelo Braga:

Digo, realmente existe muitas inverdades sobre este e outros projetos. Se você olhar o mapa de nossa rede de transmissão verá como o Norte e Nordeste estão. Exatamente pela falta de projetos deste porte. A energia hidráulica é uma das mais limpas que existem atualmente e devemos aproveitar nossos recursos hidrícos para tais fins.

Conheço há anos a região toda e não é para as indústrias que este projeto está sendo construído. Os leilões de transmissão que estão em andamento, os quais acredito que você não saiba da existencia, estão levando luz e progresso para estas regiões. Este projeto realmente é de vital importância para nosso crescimento enquanto nação auto-suficiente.

Adauto Araujo:

O vídeo, pelo pouco que foi mostrado, não parece muito honesto. Por que não entrevistaram ninguém que é efetivamente a favor da usina? E existem sim muitos a favor, eu iclusive. Fala-se que falta discussão, mas como pode haver discussão se vocês apresentam apenas um lado da questão? Pesquisando no YouTube, por exemplo, podemos encontrar muita gente que defende a obra, inclusive indígenas. Por que esses não aparecem no vídeo. Por que são os ambientalistas que na verdade parecem ser aqueles que estão divulgando maiores desinformações? Como o vídeo ridículo dos atores globais que dizem absurdos como: situar o parque do Xingu abaixo da Usina, questionar o uso de impostos para uma obra que vai oferecer melhorias a toda a população, questionar a idéia que hidroelétrica é energia limpa, bater na surrada tecla de desenvolver energias alternativas quando sabemos que não existe um projeto com a tecnologia disponível hoje que possa substituir uma usina hidroelétrica e não questionar o custo financeiro e ambiental dessas energias ditas alternativas e por aí afora. O vídeo seria bom (tecnicamente estão de parabéns) e eu até colaboraria com ele se esses outros aspectos fossem discutidos, mas pelo que eu vi ate agora ele não passa de mais uma propaganda do que um vídeo que realmente levante discussões sérias.

Antonio Teicher:

Como já foi dito nos comentários, ressalto que é essencial a presença de argumentos de ambos os lados, apresentados de forma imparcial. Se o filme tem caráter informativo/concientizador, de nada adianta partir de um clima dramático ou apelativo, como o sugerido pelo “trailer” aqui exposto. Se Belo Monte é um projeto equivocado, deve ser desmascarado para o povo brasileiro da forma mais transparente possível.

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Sobre Ani

Outros que contem passo por passo | Eu morro ontem | Nasço amanhã | Ando onde há espaço: | – Meu tempo é quando. ~Vinicius de Moraes~
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