Olhos azuis, a dor do “pré-conceito”

Algumas das falas de Jane Elliott nos vídeos ao final do post:

“Amamos o colorido em nossas árvores, mas não queremos o colorido em nossa sociedade.”

“Tive a ideia de fazer esse exercício do olho azul e olho castanho ao saber do que os nazistas fizeram durante o Holocausto… Uma das formas de decidir quem entraria nas câmaras de gás durante o Holocausto era a cor dos olhos.”

“O livro Mengele descreve como ele [o médico nazista] fazia experimentos sem anestesia, em pessoas de todas as idades, entre eles cirurgias para descobrir um modo de mudar a cor dos olhos de castalho para azul… Isso numa das mais civilizadas sociedades do planeta: alguns dos maiores filósofos, todos sabemos, eram alemães.”

“É um dos livros mais assustadores que já li.”

“Aquele homem, com aquela inteligência, nos ensina que pessoas inteligentes e com poder podem chegar a matar pessoas também muito inteligentes, mas que não têm poder, por causa de caracteríticas físicas, sobre as quais ninguém tem nenhum controle, ou por uma crença religiosa da qual discordam. É realmente muito assustador. Já aconteceu antes, poderia voltar a acontecer… A não ser que as pessoas leiam livros como este e percebam que ele não era um monstro: era um homem fazendo o que achava certo, e que tinha poder para fazê-lo.”

“Tratamos as pessoas como crianças e elas agem como crianças. É mais fácil controlá-las assim. É o que fazemos com as mulheres neste país todos os dias. Nós as tratamos como crianças, e quando elas agem como crianças dizemos: ‘está agindo assim porque é mulher’.”

“Será que estou exagerando? (…) É possível transformar pessoas inteligentes, brilhantes, engajadas, conscientes, motivadas em pessoas que agem como preguiçosas, indolentes, estúpidas, lentas e desmotivadas. É possível fazer isso em 15 ou 20 minutos. É o que vamos fazer esta manhã.”

“Você tem o direito de perdoar alguém pelo que fez com você, mas não tem o direito de perdoar pelo que fez aos outros. Não tenho o direito de perdoar o que fizeram com meus filhos. Só eles têm.”

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Amamos o colorido em nossa árvores, mas não queremos cores em nossa sociedade. ~Jane Elliott~

Para ver a publicação original deste post, visite o site Pragmatismo Político.

A professora e socióloga Jane Elliott ganhou um Emmy pelo documentário de 1968 “The Eye of the Storm”, em que aplicou um exercício de discriminação em uma sala de aula da terceira série, baseada na cor dos olhos das crianças.

Hoje aposentada, aplica workshops sobre racismo para adultos. “Olhos Azuis” é a documentação de um desses workshops em que o exercício de discriminação pela cor dos olhos também foi aplicado.

O objetivo do exercício é colocar pessoas de olhos azuis na pele de uma pessoa negra por um dia.

Para isso, ela rotula essas pessoas, baseando-se apenas na cor dos olhos, com todos rótulos negativos usados contra mulheres, pessoas negras, homossexuais, pessoas com deficiências físicas e todas outras que sejam diferentes fisicamente.

Numa palestra com um auditório lotado, ela pergunta: “Se algum branco gostaria de receber o mesmo tratamento dado aos cidadãos negros em nossa sociedade, levante-se. (…) Ninguém se levantou. Isso deixa claro que vocês sabem o que está acontecendo. Vocês não querem isso para vocês. Quero saber por que, então, aceitam isso e permitem que aconteça com os outros.

PS: Os 9 vídeos divulgados no Pragmatismo Político foram retirados do YouTube. Abaixo, o documentário em um único vídeo de 1h33min.

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Sobre Ani

Outros que contem passo por passo | Eu morro ontem | Nasço amanhã | Ando onde há espaço: | – Meu tempo é quando. ~Vinicius de Moraes~
Esse post foi publicado em Condição das mulheres, Educação e formação, Relações humanas, Violências e marcado , , , , , . Guardar link permanente.

5 respostas para Olhos azuis, a dor do “pré-conceito”

  1. J. Willian disse:

    Realmente muito bom o documentário. Abre nossos olhos para a péssima situação da sociedade atual. Mesmo sendo velho, o problema do preconceito ainda é muito presente em nossa sociedade e longe de terminar. Mas como Jane mesmo disse, uma pessoa pode mudar a mente de muitas pessoas. Afinal, ela é uma pessoa.

    • Ani disse:

      É forte o documentário, né? E corajosa essa mulher, insistir nessa ação com todos os problemas que isso causou para ela. Que cada um de nós encontre formas de combater a humilhação de outras pessoas, de cultivar o respeito pelo outro e a gentileza. Agradecimentos pela visita e pelo comentário. Tudo de bom!

  2. Iza disse:

    Olá. Tive oportunidade de assisitir esse documentario pelo Canal GNT e fiquei simplemente “tocada” pela abordagem, fiquei chocaca, indignada e como agimos e deliberadamente ignoramos nossas reais ações, atos e consequencias! muito interessante, e q nos coloca em um outro lugar de descoforto para quem sabe, assim, tomamos uma iniciativa.. Parabéns pelo artigo, gostei muito e o citei em um post do FB que fiz sobre o documentario. Porém, procurei o documentario q deu origem ao Blue Eyes, mas não encontrei, vc saberia me dizer onde posso conseguir o documentario primeiro, de 1968, com o qual ela ganhou o Emmy? – The Eye of the Storm – Grata.

  3. Pingback: Blue Eyes «

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