Escola da Ponte

José Pacheco


José Francisco Pacheco é o educador que deu impulso inicial ao projeto da Escola da Ponte, uma escola em Portugal que se propos trilhar um caminho próprio, apostando num projeto que nosso educador brasileiro Rubem Alves descreve assim:


… um único espaço, partilhado por todos, sem separação por turmas, sem campainhas anunciando o fim de uma disciplina e o início da outra. A lição social: todos partilhamos de um mesmo mundo. Pequenos e grandes são companheiros numa mesma aventura. Todos se ajudam. Não há competição. Há cooperação. Ao ritmo da vida: os saberes da vida não seguem programas. É preciso ouvir os “miúdos”, para saber o que eles sentem e pensam. É preciso ouvir os “graúdos”, para saber o que eles sentem e pensam. São as crianças que estabelecem as regras de convivência: a necessidade do silêncio, do trabalho não perturbado, de se ouvir música enquanto trabalham. São as crianças que estabelecem os mecanismos para lidar com aqueles que se recusam a obedecer às regras. Pois o espaço da escola tem de ser como o espaço do jogo: o jogo, para ser divertido e fazer sentido, tem de ter regras. Já imaginaram um jogo de vôlei em que cada jogador pode fazer o que quiser? A vida social depende de que cada um abra mão da sua vontade, naquilo em que ela se choca com a vontade coletiva. E assim vão as crianças aprendendo as regras da convivência democrática, sem que elas constem de um programa.

Consegui ver um pouco mais pelo YouTube. No vídeo abaixo, José Pacheco faz pontes entre a Escola da Ponte e a educação no Brasil.

Uma escola que tenha mais de 100 alunos deixa de ser uma escola, passa a ser um depósito de alunos onde ninguém se conhece.

Nós precisamos ter vínculos afetivos, precisamos criar laços. Porque a aprendizagem não está centrada no aluno, não está centrada no professor, não está centrada no conteúdo. A aprendizagem – isto não está nos livros, mas nós decobrimos – está centrada na relação. Aliás, muito freiriano: nós não ensinamos nada a ninguém; aprendemos uns com os outros mediados pelo mundo… Então, se está centrada na relação, tem de haver uma relação intensa entre as pessoas.

Somos a primeira escola no mundo que teve um contrato de autonomia (com o Ministério de Educação). Nós não obedecemos as leis do Estado, obedecemos a lei que estabelece nosso projeto político e pedagógico, daquela comunidade. E temos, como primeira condição do contrato, que o Ministério de Educação crie uma comissão de acompanhamento e avaliação para medir os resultados que nós produzimos. Temos responsabilidade social: venha alguém de fora para ver os resultados. E se os resultados forem negativos, acabamos com o contrato. Somos nós que escolhemos os professores, somos nós que nos gerimos financeiramente, somos nós que escolhemos o nosso modelo curricular, somos nós que fazemos tudo. Cumprimos toda a grade curricular dos nove anos, integralmente… e temos os melhores alunos.

Outros bons vídeos relacionados clicando nos links abaixo:

– Trecho de documentário sobre a Escola da Ponte.

Parte 1 e parte 2 de programa que explica o funcionamento da Ponte.

– Um caso de adolescente com antecedentes criminais e violentos recebido na Escola da Ponte: “Ele logo compreendeu que na nossa escola NINGUÉM ESTÁ SOZINHO”.

Tem mais lá pelo YouTube. Informações, comentários, opiniões: bem-vindos.
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Novo: Fica aqui o link para um post muito breve, em que se sugere que o deslumbramento geral com a Escola da Ponte pode ser apenas decorrente da habilidade de José Pacheco e da própria Escola para o marketing. Depois há uma longa discussão acalorada nos comentários. Na maior parte dos casos em que se procura colocar dúvidas sobre (ou desmerecer) o projeto, os argumentos mostram pouco: mencionam-se casos do tipo “eu dei aula para um aluno que vinha da Escola da Ponte e não ia bem na minha escola”, “tirei meu filho da Escola da Ponte porque não estava aprendendo”, ou então aplicam-se critérios de valor que a própria Escola da Ponte não considera isoladamente, do tipo, “vamos ver como tem sido a nota dos alunos da Escola da Ponte nas provas de avaliação nacional” (evidentemente isso tem relevância, mas…) , “os resultados da Escola da Ponte e de outras escolas na avaliação nacional não é tão diferente”, sem mencionar que o projeto da Escola vai além de almejar sucesso de seus alunos em provas tradicionais, propondo formar cidadãos, novos modos de se relacionar socialmente, novos modos de encarar a aprendizagem. Assim, os detratores se valem predominantemente de recursos de “selecionar” episódios isolados, descontextualizá-los e apresentá-los como se pudessem dizer algo sobre o cenário geral, mas alguns também  procuram desautorizar e diminuir os que se manifestam a favor da Escola pescando escorregadelas deles na escrita (e cada um de nós sabe com quanta frequência elas acontecem quando escrevemos, por exemplo, e-mails apressados). Esses recursos costumam me fazer lembrar de gente acostumada a distorcer fatos e desviar o foco da discussão, para exibir o que acreditam ser brilhantismo e obter vantagens pessoais  (ex.: certos colunistas do tipo mais desonesto de imprensa, como a “revista mais vendida do Brasil”). Resultado: transmitem maior credibilidade os que se manifestam a favor do projeto da Escola da Ponte. De qualquer forma, é bem-vindo um texto que chame a atenção para que a apresentação sempre positivérrima da Escola da Ponte (e sempre feita pela própria Escola da Ponte) parece também um pouco distorcida para o lado oposto: algo faz duvidar que se tenha chegado à panacéia universal para a educação humana, que todo o ensino anterior tenha sido “diabólico”, totalmente imbecil e fracassado, ou que haja apenas um único caminho a seguir para educar e ensinar com êxito. Esta observação do Pedro foi o melhor da leitura do texto “opositor” e comentários a ele:

Os professores ou são vistos como santos (quase-sacerdotes sublimados pela vocação) ou como demónios (cambada de vermes preguiçosos e chupistas do erário e do bem-estar público), nunca são pessoas.

Entrou para a coleção de citações favoritas, na página Arroz deste blog.

Sobre Ani

Outros que contem passo por passo | Eu morro ontem | Nasço amanhã | Ando onde há espaço: | – Meu tempo é quando. ~Vinicius de Moraes~
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