Nicolelis me deu o lema


Pois bem, no atual Estado de exceção que se instalou no Brasil mediante golpe parlamentar e judiciário, e agora com a eleição para Presidência da República tendo sido fraudada com o impedimento da candidatura de Lula, a quem quer que me pergunte sobre voto, a resposta será, obviamente:





Se em outras circunstâncias eu poderia chegar a considerar alternativas para alguns cargos, agora não há outra resposta possível. E Nicolelis me deu o lema:



PT Saudações.



TEXTO DE MARCIA TIBURI

Desde o final dos anos 80, com a chamada Abertura, vivemos dentro de uma espécie de bolha democrática que foi furada pelo Golpe contra Dilma e o povo brasileiro. A partir de então, a fragilidade da redemocratização formal que vivíamos veio à tona e, como aquela energia elétrica que falta, a urgência e a importância de democracia apareceu mais radicalmente. Se de um lado ela é frágil e precária, de outro a democracia é uma forma aberta que requer reinvenção. Como cidadãos, seguimos nessa linha.

Se é verdade que vivíamos em uma democracia de baixa intensidade, em meio a avanços e retrocessos, erros e acertos, pelo menos a vida política brasileira desenvolvia-se dentro dos marcos impostos pelas regras do jogo democrático. Existia democracia, ainda que insuficiente. Hoje, nem isso. No momento presente, apostamos em eleições, mesmo depois dos 54 milhões de votos vencedores jogados na lata do lixo da história em 2016 por parlamentares de partidos como o PMDB (do Cunha), o Podemos (de Romário) e o DEM (atual partido do Eduardo Paes), muitos dos quais traidores do projeto de construção de um país soberano e menos desigual.

Resistir, porém, é insistir. O desejo de democracia segue e a utopia de um mundo melhor permanece presente entre nós exigindo atitudes capazes de superar esse estado político, econômico e social injusto. Talvez o conjunto das forças de centro-esquerda – ou seja, daqueles que acreditam que o Estado tem um papel ativo e fundamental na redução das desigualdades sociais e na implementação do projeto constitucional de vida digna para todas e todos – não tenha percebido que a próxima eleição tem um caráter excepcional. Trata-se da primeira eleição presidencial após a Constituição de 1988 que se dá em um quadro de quebra da normalidade democrática.

Os efeitos de um golpe de Estado, ainda inconcluso, se fazem sentir diariamente. O impeachment da presidenta eleita sem a ocorrência de um crime de responsabilidade, a implementação de um projeto político derrotado nas urnas e a utilização do sistema penal para perseguir os inimigos políticos dos atuais detentores do poder político, dentre outras distorções autoritárias, deixam claro que o Estado (Executivo, Legislativo e Judiciário) atua fora dos limites da legalidade democrática para atender interesses que não se confundem com os da maioria do povo brasileiro.

O “Golpe”, portanto, deve ser a categoria de análise da situação política. Não basta afirmar a existência de um golpe, mas, a partir dessa constatação inafastável, perceber as consequências e formular estratégias de atuação compatíveis com esse quadro. O que está em jogo é, mais uma vez, a democracia. Não só a democracia formal e a importância do voto na escolha dos governantes estão em risco, mas uma concepção de Estado comprometido com a dignidade da pessoa humana, a realização dos valores republicanos e a concretização dos direitos e garantias fundamentais de todas as pessoas.

É justamente esse “comum” que evolve a efetiva participação popular na tomada das decisões políticas e a realização dos direitos e garantias fundamentais da população, que deve unir todas a forças de centro-esquerda e ser posto em oposição ao golpe e aos candidatos dos grupos econômicos responsáveis pela quebra da normalidade democrática. Podemos chamar esse “comum” capaz de aglutinar e promover reações às consequências práticas do Golpe contra a população e a democracia de Princípio Lula. Esse princípio não se confunde com o cidadão Luiz Inácio Lula da Silva, que atualmente é um preso político, submetido a uma brutal perseguição judicial com finalidade estranha à democracia. Lula da Silva é um homem de carne e osso, com seus erros e acertos, que se tornou a maior liderança política do Brasil, um ex-presidente que deixou o cargo com 83% de aprovação, segundo dados do Datafolha.

Já o princípio Lula é um vetor de orientação que exige ações concretas à redução da desigualdade, um mandamento de conduta direcionado a resistir ao projeto neoliberal que quer transformar tudo e todos em objetos negociáveis. O princípio Lula fundamenta a luta de todos aqueles que querem o retorno e o aprofundamento da democracia. O ex-presidente Lula, antes de sua prisão, disse que é impossível aprisionar ideias . Ele tem razão. Lula, esse espectro que ronda o Brasil, vai se concretizar na próxima eleição cada vez que o eleitor votar em candidatos radicalmente contrários ao Golpe. Cada vez que o eleitor votar 13.

Mais do que em Lula, o voto possível do campo democrático será no que ele representa no imaginário popular, ao que podemos chamar de princípio Lula. Esse princípio atravessará o voto de todos os que desejam a democracia. A união das esquerdas, indispensável à defesa da democracia, queiram ou não, passa pela adesão ao princípio Lula. Os ataques ao Lula e ao PT, todos já sabem, deu-se em razão dos acertos e do que havia de compromisso popular no governo petista. Isso não significa que o Partido dos Trabalhadores está livre do dever de formular uma autocrítica. Essa autocrítica, como já mostrei em texto recente, está sendo feita e é fundamental para que erros não se repitam no futuro, mas não deve servir para demonizar o passado.

Todo governo é complexo, como produto histórico caracteriza-se por acertos e erros. Não se pode, porém, ignorar que hoje os erros dos governos petistas são utilizados na retórica golpista, acolhida pela esquerda mais ingênua, para ocultar e demonizar os acertos que tanto incomodaram aos detentores do poder econômico que, no Brasil e no exterior, não têm qualquer compromisso com o destino do país, e à parcela da classe média que se mostrou incomodada com a ascensão social das classes populares.

Hoje, em um momento marcado por uma ameaça concreta à democracia brasileira, não há mais espaço para o narcisismo das pequenas diferenças ou ressentimentos daqueles que, por idealismo, purismo ou vaidade se afastaram do PT, o maior partido de esquerda do Brasil. Diante do crescimento do pensamento conservador e do projeto de destruição do Estado brasileiro, como insistir com idiossincrasias, projetos pessoais de poder ou desejos de reforçar identidades partidárias?

Há uma missão histórica posta às forças progressistas: devolver o Estado ao povo, impor limites democráticos ao poder econômico e concretizar os direitos fundamentais de todos e todas. Os canalhas, em nome do desejo de enriquecer e de lucrar ilimitadamente, implementaram uma espécie de vale-tudo para se manter no poder, impõe-se uma resposta popular que passa necessariamente pelas urnas, que passa pelo voto no 13, tanto para os cargos majoritários quanto para os proporcionais, embora não se limite a isso.

Haddad é Lula, por aderir ao princípio que leva à reconstrução do país. Manu é Lula, pois luta pela concretização do projeto constitucional de vida digna para todas e todos. Eu também sou Lula: sou Marcia Tiburi, candidata ao governo do estado do Rio de Janeiro.


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